Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 23/05/2018
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1998 e 2014 o número de casos de suicídio de jovens no Brasil aumentou em mais de 20%. Esse período corresponde ao da evolução dos meios de comunicação, aspecto necessário para a sociedade pós-moderna atual. Diante disso, Bauman definiu que as relações interpessoais se tornaram “líquidas”, sendo a interação humana substituída, cada vez mais, por relações virtuais. Devido a isso, o suporte social e familiar que um jovem precisa em seu desenvolvimento também é afetado, resultando em recolhimento social, transtornos de ansiedade, depressão e até mesmo o suicídio.
Durante a adolescência,além do processo natural de construção da identidade, diversos fatores influenciam na saúde mental do jovem. De acordo com médicos pesquisadores da fundação Oswaldo Cruz,o bullying é o ponto nevrálgico do suícidio entre os jovens brasileiros. Sendo o bullying uma forma de expressar a não aceitação do outro, isso corrobora que a intolerância social, principalmente em um ambiente que deveria contribuir para o desenvolvimento social, como a escola, pode prejudicar a saúde mental de um jovem.
Além disso, é evidente que a liquidez das relações sociais atuais inclui as relações familiares. Como foi dito por Jaak Bosmans, “A globalização encurtou as distâncias métricas, aumentando muito mais as distâncias afetivas.",e na falta de relações afetivas a necessidade de compreensão é suprida através da internet em que, além do acolhimento socioafetivo de estranhos, há jogos e grupos que exortam comportamentos depreciativos, autolesivos e até o suicídio, muitas vezes ensinando técnicas de como devem ser realizados.
Por conseguinte, é evidente que as alterações sociais resultaram no aumento da taxa de suicídio entre os jovens. Para reverter esse quadro, a família deve se atentar a alterações de comportamento dos jovens e abrir espaço ao diálogo, a fim de descobrir situações danosas como o bullyng e intervir a tempo. A ficção midiática deve tomar devidos cuidados ao veicular qualquer informação ou referência ao suicídio, seguindo as políticas da OMS:não expor métodos de realizá-lo nem usá-lo como forma de resolução de problemas. Por fim,as unidades de saúde devem dispor de profissionais capacitados para lidar com tal situação, além de investir na prevenção da depressão.