Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/05/2018

Os 13 Porquês - seriado da Netflix - e Os sofrimentos do jovem Werther - clássico literário de Goethe - narra a história de jovens que decidiram tirar suas vidas devido aos seus relacionamentos fracassados. No Brasil, o debate sobre o aumento das taxas de suicídio, principalmente entre a faixa etária de 15 a 29 anos, demonstra-se uma questão de saúde pública, visto que nesse período de desenvolvimento muitos enfrentam situações de conflito interpessoal, têm maior instabilidade emocional e mais impulsividade o que facilita a prática suicida.

De acordo com o Mapa da Violência - 2017, são 5,6 mortes a cada 100mil jovens, 20% acima da média nacional. É importante pontuar que a maioria dos casos é advento da prática de bullying e cyberbullying, facilitado pelas redes sociais e impulsionado pelos padrões sociais impostos pelas mídias. Tal situação favorece, principalmente em jovens com baixa autoestima, históricos de abusos, problemas psicológicos; uma busca incessante pela aceitação e aprovação da sociedade e quando esse objetivo não é atingido floresce o sentimento de não pertencimento aos grupos predominantes. Prova disso foi o suicídio da adolescente Dielly, de Icoaraci - Belém (PA), que sofria constantemente chacotas e comentários maldosos devido ao seu peso e decidiu que não aguentava mais viver assim.

Hannah Baker, protagonista do seriado, era uma jovem que deparava-se com as mudanças da adolescência e ao buscar ajuda dos pais, não encontrou e acabou cortando os pulsos. A correria do dia a dia, a dedicação ao trabalho e aos afazeres domésticos impedem os responsáveis de  acompanharem lado a lado seus filhos. Sem contar, que muitos banalizam os comportamentos dos adolescentes, principalmente diante dos dramas vividos nessa fase que necessita de mais atenção a fim de evitar ações impulsivas. Há muitos sinais como: alterações na personalidade, queda do rendimento escolar e variações repentinas de peso, que quando identificados por pessoas de convivência próxima evitam que o jovem sinta-se sozinho e desista de lutar.

Durkheim considera o suicídio como fato social por estar presente em qualquer sociedade, sendo a prática dependente das normas e dos valores sociais. Logo, de modo a garantir a saúde mental dos jovens é necessário o combate aos padrões impostos socialmente. As mídias devem evitar o culto a perfeição, mostrando perfis humanos e realistas, principalmente nas telenovelas e revistas. Da mesma forma, as instituições de ensino e os familiares devem dar assistência emocional nessa faixa etária de desenvolvimento, sendo a primeira responsável por apoio psicológico, com profissionais da área, em seus ambientes escolares, combate ao bullying e construção de espaços de convivência; e a segunda com o suporte para o desenvolvimento emocional seguro e saudável dos filhos.