Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/06/2018
A segunda geração da escola literária romântica no Brasil, também conhecida como “Mal do século”, é permeada de textos que recorrem à fugas mentais e a morte como única saída viável diante do desprazer de viver. Analogamente, quando se observa o indície de suicidios entre jovens no Brasil, percebe-se que esse vem aumentando consideravelmente, suscitando debates acerca de caminhos eficientes para sua prevenção. Desso modo, visto que que tal fato ainda não foi posto em prática, a problemática persiste, seja pela falta de solidariedade social, seja pela naturalização do problema.
É importante notar, a princípio, que a ausência de um pensamento coletivo é um fator preponderante para manutenção do impasse. A esse respeito, o sociólogo Emile Durkheim, em sua obra “O suicídio”, aponta que numa sociedade orgânica, típica de médias e grandes cidades brasileiras, o nível de solidariedade social diminui, uma vez que com a racionalização do tempo, um indíviduo dificilmente perceberá as angústias do outro. Dessa forma, o número de casos de suícidio entre jovens - a qual o pensador nomeia de “fatalista”, ou seja, tendo como causa pricipal as pressões advindas de instituições sociais - subiu, desde 2012, cerca de 10%.
Ademais, é indispensável saber, ainda, que a taxa de atentado à própria vida entre os jovens também é uma consequência direta da naturalização do problema. Assim, a família e a escola, instituições que poderiam atenuar o ocorrido, se omitem diante dos casos. Dessa maneira, bem como dito pela filósofa Hannah Arendt, a sociedade banaliza o mal, não intervindo e nem tentando impedi-lo. Tal fato está explícito quando se analisa que o suícidio ainda é visto como um tabu, mantendo o panorama de falta de conversa, debates e ajuda psicológica, além do não reconhecimento de pensamentos suícidas e sua necessidade de ajuda médica.
Torna-se evidente, portanto, que o suicídio entre jovens no Brasil ainda é uma dura realidade, sendo necessário caminhos a fim de mudar esse paradigma. Sob essa perspectiva, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de campanhas publicitárias na mídia em geral, o papel de trasmitir informação sobre os altos índicies de suicídio, bem como como idêntificar tendências suícidas, para que que tabu seja rompido e as providências corretas sejam tomadas. Similarmente, o MEC deve criar um programa de acompanhamento nas escolas a partir de psicólogos, promovendo debates e encontros entre país, filhos e o profissional da área, com o fito de reduzir os casos e aconselhar através de conversas as condutas que deverão ser tomadas. Somente assim, a longo prazo, ter-se-á uma realidade distinta àquela vista durante a geração “Mal do Século”.