Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 06/06/2018

O sociólogo Émile Durkheim desenvolveu um estudo científico delimitando contextos, termos e circunstâncias diversas, em uma obra denominada “O suicídio”, baseada em evidências estatísticas acerca do autoextermínio, na qual o autor divulga seus estudos tratando o mesmo como fato social. Tal significado exprime a ideia de que este constitui-se como realidade aquém do indivíduo, podendo ser sintetizado em três vertentes: o egoísta, o altruísta e o anômico. O entendimento de tal atitude como fenômeno sociológico e o seu enquadramento científico permite a desmistificação de preconceitos comumente formados por visões distorcidas ou infundadamente sugestivas, acerca do suicídio.

Primeiramente, a definição de suicídio como fato social destitui a concepção de culpabilidade aplicada ao indivíduo pautada em informações que são difundidas erroneamente, pois, tal ocorrência possui bifurcações numerosas e especificidades únicas. Identificar essas nuances é tarefa difícil e realizável somente por profissionais, entretanto, elas são contrastadas por motivos globais comuns, como as composições genéticas que influenciadas fatores ambientais externos, tendem a condicionar o desenvolvimento de distúrbios de ordem psíquica, impulsionados pelo uso de entorpecentes e medicamentos controlados, assim como, por contextos históricos em que o indivíduo está inserido.

Com base nessa premissa, o egoísmo possui ressignificação quando se trata de suicídio. Segundo Durkheim, tal fator exprime a desintegração do indivíduo das instituições sociais nas quais este sentia-se anteriormente absorvido, como a família, a escola e o trabalho, tornando-se apático em suas relações interpessoais. Já o altruísta é aquele que impõe risco à própria vida consciente da situação, em busca de salvar outrem, uma ideologia ou um determinado grupo. O último, síntese fundamental da sociedade atual, é o anômico, termo cunhado pelo sociólogo para exprimir a ausência de coesão social, como resultado da perda de identidade, advinda relativização de valores em uma determinada época.

Em posse disto, o autoextermínio carece de intervenções de espectro coletivo e não somente em âmbito individual, portanto, a autodeterminação em não tocar no assunto, certamente não elimina sua incidência. Criando-se grupos de apoio nas redes sociais, mediados por ONGs, baseados nas trocas de experiências, aumentar-se-ia a autopercepção que estes perdem de si. Somando-se a isto, contratação de psicólogos pelas instituições de ensino para abordarem o assunto, através da educação emocional, conteúdo de suma importância ao autoconhecimento,  bem como, a criação de campanhas nacionais pelo Ministério da Saúde, em conjunto com o da Cultura, difundindo obras que abordem a temática, servirão como meio de desmistificação e condicionamento às pessoas a perceberem características suicidas em outrem, podendo intervir em tempo hábil, evitando, portanto, a efetivação da ocorrência.