Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 04/09/2018

A Constituição Federal prevê, no art. 227, o dever da família, do Estado e da sociedade de assegurar aos jovens o direito à vida, com absoluta prioridade. Tal preceito jurídico imprescinde, para sua implementação, de uma efetiva diminuição nas crescentes taxas de suicídios na juventude do país.  Nessa perspectiva, a prevenção mostra-se fundamental, porém enfrenta problemáticas relacionadas à falta de discussão sobre o assunto, bem como à negligência em relação aos grupos de risco, cujos efeitos perniciosos são imperiosos se debaterem.

Primeiramente, nota-se que a falta de evidenciação da questão implica em uma subestimação de suas reais dimensões, além de reduzir as chances de intervenção. Nesse sentido, a ideia do filósofo Jürgen Habermas de que o diálogo em si é mais importante que o seu resultado revela-se pertinente. Analogamente, infere-se que as causas que levam a pessoa a supressão da própria vida devem superar o status de tabu e devem ser colocadas em pauta, pois a capacidade de conversas e conhecer a situação é o primeiro passo para elidir sua ocorrência.

Ademais, os cidadãos mais novos que cogitam em encerrar a própria existência, em geral, lidam com situações de doenças mentais ou de grande desgaste psicológico, cujo amparo é fundamental para evitar o trágico resultado. Nesse contexto, o filósofo Han Jonas labutou, na obra O Princípio Responsabilidade, a tese de que o agir ético implica inexoravelmente na responsabilidade do futuro do próximo. Sob essa ótica, o exercício da cidadania deve desaguar em uma efetiva assistência aos mais novos que enfrentam essas situações extremas, inclusive no ambiente da escola e da família.

Por tudo isso, as alternativas ao suicídio pelos jovens demonstra-se conectadas à ampla discussão de suas causas na sociedade, e dependem de um amplo agir ético e solidário. No tocante a isso, o Ministério a Saúde deve intensificar as campanhas publicitárias, inclusive nas mídias televisivas e redes sociais, para por em evidência esse fenômeno, a fim de que os envolvidos, tais como pais, amigos e professores,  possam perceber sinais e sintomas e, nesse viés, busquem ajuda profissional. Outrossim, as secretarias municipais de saúde devem ampliar os investimentos na área, com a finalidade de aumentar a disposição de psicólogos e psiquiatras nos postos de saúde e, em parceria com escolas públicas e privadas, dispor esses serviços dentro do ambiente escolar. Desse modo, mitiga-se os impactos negativos em simultâneo reforço da cidadania.