Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 21/06/2018
O suicídio é um mal com raízes profundas, antigas e repleta de tabus. Na cultura japonesa, durante as dinastias imperiais, o “harakiri” (ritual suicida praticado pelos samurais) era algo muito bem visto e invejado pela sociedade. Não obstante, o ato de tirar a própria vida também está romantizado na literatura clássica, visto que a solução para a decepção amorosa em Romeu e Julieta, de Shakespeare, foi a autoquíria. Em vista disso, é nítido que o passado sociocultural do suicídio promove uma espécie de propaganda para sua realização, principalmente nos jovens do século XXI, os quais estão expostos as extremas opressões externas como preconceito e isolamento social, ocasionando em inúmeros casos de depressão. Dessa forma, é dever da sociedade e do Estado buscar caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil.
Nesse contexto, do ponto de vista sociológico, é nessa fase que o jovem está se formando como cidadão. Além do mais, do ponto de vista biológico, os hormônios como testosterona e progesterona estão sendo produzidos em grande quantidade também nesse período. Esses fatores causam uma instabilidade emocional no adolescente por natureza. Em virtude disso, quando o jovem busca ajuda com os pais, são negligenciados com a equívoca justificativa de “ser uma fase”. Se não bastasse isso, ainda existe o fator principal para desencadear a depressão e futuramente um possível suicídio: o preconceito.
Contudo, não é o preconceito o principal empecilho, e sim suas consequências, vale destacar a exclusão social, ou seja, após o indivíduo ser julgado e rotulado, até mesmo os amigos se afastam, como visto na séria norte americana “13 Reasons Why”, em que a personagem principal é abandonada pelas suas colegas após ter foto íntima espalhada na internet. Ao isolar esse jovem, ele se sente sem opção, pois não tem em quem se apoiar e desabafar, dessa forma recorre a situações extremas como a auto mutilação e a até mesmo a morte.
Portanto, o ato de tirar a própria é muito antigo, e esteve presente nas mais diversas culturas, muitas vezes tendo significados distintos. Todavia, hodiernamente o suicídio não deve ser romantizado ou visto como solução. Cabe ao Ministério da Saúde promover palestras de conscientização dentro das escolas a fim de diminuir os casos de bullying e preconceito, dessa forma neutralizando o gatilho da depressão. É dever da diretoria dos colégios públicos e particulares fiscalizarem seus alunos e repudiarem qualquer ato hostil que desrespeite a integridade emocional ou física do próximo, como também fornecer ajuda de psicopedagogos para que o jovem tenha com quem conversar e não se sentir sozinho no momento em que mais precisa de ajuda.