Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 21/06/2018

A obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe, marco inicial do Romantismo na Europa, quando lançada, deu origem a uma onda de suicídios devido à melancolia transmitida por meio de sua leitura. No entanto, apesar de ter sido produzida há aproximadamente três séculos, os impactos do romance parecem dialogar com o cenário brasileiro atual, visto que o número de suicídios no país é crescente, preocupante e tem se agravado devido à falta de auxílio por parte do corpo social e pela influência midiática.

Em primeiro lugar, contrapondo-se à geração Ultrarromântica, que tinha o amor platônico como principal motivação para o suicídio, pesquisas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo indicam que, em 90% dos casos, a pessoa que tirou a própria vida sofria por algum tipo de transtorno mental, como a depressão. Nesse viés, o professor Augusto Cury afirma que “a pessoa que comete suicídio tem a intenção de acabar com a dor, não com a vida”, no entanto, por não visualizarem alternativas plausíveis para a resolução de seus problemas, por vergonha de expor seus sentimentos ou pelo descaso da população no que diz respeito às doenças mentais, muitos acabam não procurando ajuda.

Ademais, é de conhecimento geral a influência midiática sobre a tomada de decisões por parte dos jovens e adolescentes. Desse modo, a exposição do jovem a programas televisivos e jogos com conteúdo que promovem a atitude suicida torna ainda mais provável a execução de tal ato por indivíduos fragilizados. Prova disso é o aumento do número de casos divulgados pelo Ministério da Saúde após a viralização do seriado americano “Os treze porquês” e do jogo “Baleia Azul”, que tratam o assunto como uma maneira de resolver os problemas pessoais.

Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, é função da família promover diálogos com os jovens, para que haja um maior conhecimento dos conflitos enfrentados e recorrer, caso necessário, à ajuda médica e psicológica a fim de auxiliá-los da melhor maneira possível. Outrossim, os governos Federal, Municipal e Estadual devem investir na contratação de psicólogos que atuem em escolas da rede pública, a fim de realizar o acompanhamento de seus alunos por meio de reuniões periódicas, com o fito de identificar distúrbios emocionais nos jovens e adolescentes do país durante o processo de formação de caráter. Por fim, é função da mídia criar e divulgar campanhas de valorização da vida, de modo a reduzir o impacto dos conteúdos nocivos à saúde mental dos jovens, para que dessa forma o suicídio, diferente do Romantismo, não se torne o “mal do século”.