Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 23/06/2018

Epidemia Silenciosa

De acordo com o psicoterapeuta Augusto Cury, um ato de suicídio não tem como objetivo matar a vida, mas a dor de viver. Assim, o autocídio, que é uma epidemia silenciosa, acontece com uma frequência extremamente expressiva entre os jovens do Brasil, o que é fruto de uma sociedade sem informação sobre o assunto. Nesse sentido, é fundamental discutir sobre as causas dessa problemática social, a fim de prevenir sua ocorrência.

Em primeiro plano, vale salientar que o suicídio, segundo o sociólogo Émile Durkheim, é um fato social, ou seja, está intrinsecamente ligado à maneira com a qual a sociedade se desenvolveu. Esse modo de construção da comunidade fez com que esse ato seja visto como um tabu e, por isso, é pouco comentado, o que contribuiu para perpetuação de casos de bullying e de assédio, que, somados ao cérebro ainda em formação de um adolescente, podem resultar em autocídio. Consoante a isso, no Brasil, a título de exemplo, de acordo com o Mapa da Violência, todos os dias cerca de 28 brasileiros se matam, sendo a maioria jovens, o que prova, desse modo, a prevalência de uma estrutura social perversa, que trata tal assunto com descaso e propícia os atos suicidas.

Na segunda análise, é importante explicitar que, segundo o Centro de Valorização da Vida, cerca de 90% dos casos de autocídio são evitáveis, isto é, na maioria dos acontecimentos há a possibilidade de reverter o ímpeto suicida, por meio do diálogo e da ajuda. Tendo isso em vista, na série de televisão “Os 13 Porquês”, por exemplo, a personagem principal comete suicídio, no entanto, ao longo dos episódios, percebe-se que ela buscou por amparo e tentou demonstrar para as pessoas que estavam ao seu redor que estava deprimida, porém, devido à falta de informação e de diálogo sobre o problema, ninguém percebeu a sua situação. Logo, torna-se incontestável a necessidade de prevenir o autoextermínio entre jovens brasileiros, a partir da difusão de informações sobre o tema.

Portanto, partindo do princípio abordado por Augusto Cury de que quem comete suicídio, a princípio, não quer matar a sua vida, é primordial que seja garantida uma ajuda eficaz às pessoas que possuem o intento de consumar esse ato. Para isso, o Centro de Valorização da Vida, em parceria com o Governo Federal, tem de informar os jovens sobre como o suicídio afeta a sua faixa etária, por intermédio de palestras em escolas, que exponham dados relevantes a respeito do assunto, ensinem os alunos a como reconhecer que um colega não está bem e, além disso, instruam o modo como eles devem agir diante dessa problemática. A partir dessa ação, o ato de suicídio deixará de ser a única opção para os adolescentes diante dos sofrimentos da vida.