Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 24/06/2018
A filosofia grega pré-socrática apresenta como característica a intensa dualidade entre os ideais defendidos por Parmênides e por Heráclito. O primeiro acreditava na imutabilidade do mundo e da natureza, enquanto o segundo, na constante mudança desses elementos. No Brasil, hodiernamente, seja pela lenta mudança de mentalidade social, seja pela insuficiência de leis, a realidade nacional possui, metaforicamente, caráter parmenidiano, tendo em vista o descontrolado aumento dos casos de suicídio ocorridos no país. Nessas circunstâncias, o progresso da nação se torna limitado pelo imutável descaso governamental e social para com tal situação, em decorrência de diversos fatores. Convém a análise das causas dessa situação, assim como suas principais consequências para a sociedade.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, ocorrem cerca de três mil suicídios por dia, enquanto no Brasil, o índice é de 4,6 casos a cada cem mil habitantes. No Rio Grande do Sul, esse índice alcança a marca de 9,8 suicídios a cada cem mil habitantes. Dentre as causas desse problema, é indubitável a presença da questão constitucional e a sua aplicação. Conforme Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Nesse sentido, é perceptível que, no Brasil, o aumento dos casos de suicídio rompe essa harmonia, uma vez que a Constituição Federal de 1988 prevê como garantia fundamental o direito à vida.
Além disso, enfatiza-se a lenta mudança de mentalidade social como motivadora do problema. Desde o iluminismo, entende-se que a sociedade só progride quando um membro se mobiliza pelo problema do outro. Entretanto, verifica-se que esses ideais iluministas perduram apenas teoricamente, uma vez que a indiferença e o descaso para com os casos de suicídio no Brasil, exercidos pela comunidade, acarretam um atraso do progresso nacional. Assim, os índices de suicídio tendem a aumentar gradualmente, impulsionados pelo desamparo social, o que proporciona a perpetuação da prática suicida no país.
Infere-se, portanto, que o suicídio é um mal para a sociedade brasileira. Assim, o Estado deve criar órgãos de amparo social no país, que combatam o suicídio, a fim de diminuir tal prática na sociedade. Além disso, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras permanentes ministradas por psicólogos, que discutam a importância de se valorizar e proteger a vida, bem como de se mobilizar pelos indivíduos que apresentarem tendências suicidas, a fim de acelerar o processo de mudança de mentalidade social. Dessa forma, vencer-se-á a imutabilidade social e das leis que limita o progresso, a fim de alcançar mudanças constantes, como defendido por Heráclito, e, por meio dessas, contribuir para a formação de uma cultura de valor a vida no Brasil.