Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/06/2018

Albert Camus define o suicídio como questão primordial concernente ao pensamento filosófico. Assim, a vontade de viver ou morrer abarca aspectos gerais da vida, desde a capacidade de abstração até o sentimento de pertencer à um corpo coletivo. No Brasil, constata-se o infeliz panorama: O suicídio entre jovens está cada vez mais frequente. Portanto, o Estado, instituição de grande responsabilidade no que tange aspeccos da saúde pública, está falhando em promover um ambiente seguro, do ponto de vista psicológico e social, aos jovens brasileiros.

Em acordo com a definição cunhada por Camus, o suicídio é um fenômeno complexo, por conseguinte, não pode ser limitado a uma única causa. Dessa forma, sob a perspectiva imaterial, o ato de suicidar-se está relacionado à incapacidade do indivíduo para lidar com questões profundas que requerem o uso da abstração filosófica. Então, questões como ’’ Qual o sentido da vida? ’’ ou ’’ Existe vida após a morte ? ‘’, que são naturais ao ser humano, podem causar um forte impacto psicológico levando a um vazio existencial caso não forem trabalhadas através de mecanismos linguísticos e conceituais bem elaborados. Logo, a formação filosófica dos indivíduos, desde tenra infância, deve ser estimulada e valorizada pelo Estado para prevenir, assim, a infelicidade de uma morte prematura.

No entanto, além disso, como causa do suicídio pode-se apontar à realidade de exclusão e violência sofrida por muitos jovens no ambiente escolar. A série ‘‘13 razões do porque’’ demonstrou, através da trama de uma garota que antes de tirar a própria vida registrou as razões que a levaram ao ato, que os abusos sofridos pela protagonista no ambiente escolar foram motivadores da fatal decisão. Além disso, a série apontou para a incapacidade do corpo docente e administrativo da escola em perceber e ajudar essa garota. Portanto, mediante a dureza pela qual os jovens tratam-se uns aos outros e ciente da invisibilidade, muitas vezes, desse tipo de situação, cabe a escola desenvolver mecanismos que ajudem a monitorar e ajudar casos como o retratado pela série.

Portanto, conclui-se, no intuito de evitar que jovens cometam suicídio, deve-se valorizar a formação filosófica nas escolas através de reformas, elaboradas pelo Ministério da Educação, que ampliem a carga horária das aulas de filosofia e concedam espaço para discussões sobre temas existencialistas, como a vida e a morte por exemplo, afim de desenvolver a profundidade psicológica nos jovens. Além disso, é de suma importância que, a União, as federações e os municípios, trabalhem conjuntamente afim de preparar os profissionais da educação, de todos os níveis escolares, para que estejam aptos a monitorar e oferecer assistência aos jovens. Dessa maneira, pode-se pensar em um futuro aonde jovens, e também adultos, estarão saudáveis e dispostas para lidar com o imponderável.