Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 25/06/2018

A obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe, marco inicial do Romantismo na Europa, quando lançada, deu início a uma onda de suicídios devido à melancolia transmitida por meio de sua leitura. No entanto, apesar de ter sido produzida há aproximadamente três séculos, o cenário vivenciado após sua repercussão parece dialogar com o atual contexto brasileiro, visto que o número de suicídios no país é crescente, preocupante e tem aumentado cada vez mais, devido à falta de auxílio por parte da sociedade, do Governo e pela influência midiática.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que a ideia de modernidade líquida, defendida pelo filósofo Bauman, é cada vez mais notória na sociedade atual. Nesse viés, a liquidez das relações sociais, percebida pela pouca intensidade e durabilidade dessas, dá origem a um sentimento de solidão constante, que contribui para o elevado número de casos de suicídio entre os jovens. Prova disso é que, segundo dados do Centro de Valorização da Vida, quase 80% das pessoas que se suicidaram tentaram pedir ajuda em algum momento, no entanto, o fato de não terem sido levadas a sério ou não terem encontrado alguém disposto a conversar sobre o assunto, levaram-nas a concretizar o ato.

Em segunda instância, contrapondo-se à geração Ultrarromântica, que tinha o amor platônico como principal motivação para o suicídio, pesquisas da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 90% dos casos, a pessoa que tirou a própria vida sofria com algum tipo de transtorno mental, como a depressão. Nessa vertente, o professor Augusto Cury afirma que, “quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida”, entretanto, a falta de políticas públicas voltadas ao tratamento de doenças psicológicas, somada à influência midiática exercida por meio da exibição de programas que tratam o suicídio como maneira de resolver problemas pessoais, incentivam a prática de atitudes suicidas por indivíduos fragilizados.

Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, é conveniente que a mídia, como instrumento de controle social, em parceria com a população, crie e divulgue grupos e fóruns de apoio psicológico que reúnam especialistas e civis, a fim de acolher, dialogar e ajudar cidadãos com problemas, com o intuito de reduzir o número de suicídios por intermédio da solidificação das relações sociais. Outrossim, cabe ao Governo investir da saúde psicológica social, por meio da contratação de psicólogos e psiquiatras que atendam pelo Sistema Único de Saúde, com o fito de proporcionar a todos os brasileiros a oportunidade de tratar problemas psicológicos gratuitamente, para que dessa forma, o suicídio, diferente do Romantismo, não se torne o “mal do século”.