Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/06/2018

Epidemia silenciosa

Ao dizer que “Quando o modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho”, o eminente filósofo Mário Sergio Cortella estimula uma séria reflexão relativamente aos transtornos psicológicos contemporâneos, responsável pelo elevado número de suicídios. Nesse enfoque, as relações fluídas, o descaso da população e do Estado somadas às artimanhas de manipulação da mídia, constituem-se razões potencializadoras do suicídio.

A princípio, convém destacar o enfraquecimento de laços entre os indivíduos, protagonista do suicídio egoísta, defendido por Émile Durheim, o qual se constitui quando a pessoa não consegue se conectar a nenhuma instituição social. Frente a tal análise, vale mencionar a constatação de que - consoante a Organização Mundial da Saúde - 90% dos casos poderiam ter sido evitados, comprovando que a tentativa de suicídio é um pedido de ajuda, a qual nunca deve ser ignorado, tornando-se problema quando essa anomia é tratada ainda como tabu na sociedade. Entretanto discutir tal ferida social é uma questão importante, e, assim, desconstruir o preconceito cristalizado.

Ainda é cruel enfatizar a atuação dos meio midiáticos na ditadura de estereótipos refletidores de uma satisfação efêmera que, diante do desejo de manter dentro dos padrões estabelecidos, pode desencadear nos jovens sérios transtornos, até ocasionar o autoextermínio. Exemplifica-se como como uma dessas reprováveis situações o caso da jovem Dyelle santos, cuja morte por enforcamento deu-se a conflitos relativos ao bullyng e gordofobia, refletindo a educação retrógrada, em que os discentes não aprendem a lidar com o sofrimento, bullyng, cyberbullyng e isolam-se relativamente ao meio em que vive  prejudicando a tentativa de dignificação da vida de diferentes sectos. Respaldando-se na literatura de Zygmunt Balman, essa vontade de pertencer aos valores e estilos ditados cobra, em uma primeira análise, um preço psicológico e, em segundo diagnóstico, revela sintomas físicos associados a depressão e posteriormente autocídio.

Frente a essa problemática, urge, assim, uma sólida eficaz participação das instituições de ensino - com apoio do MEC - discutirem a temática em aulas e palestras, propositando reeducar o olho humano para melhor filtrar as intencionalidades da mídia e reduzir consideravelmente a difusão de estereótipos de beleza comprometedora da qualidade de vida de uma parcela da sociedade. É imprescindível que a secretaria de saúde em conjunção com a rede intersetorial lancem um projeto piloto, envolvendo psiquiatras, psicólogos, segurança pública, família e escola para o desenvolvimento de estratégias a fim de combater essa epidemia silenciosa através do autoconhecimento.