Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/11/2018
Discutir o suicídio entre os jovens ainda é um tabu no Brasil. Por questões éticas, os jornais não noticiam ocorrências suicidas, ora por respeito às famílias, ora como uma forma de não estimular novos ímpetos. O único caminho para lidar com o problema é a prevenção: as cicatrizes deixadas pelo suicídio destrói famílias e comunidades a que pertencem essas vítimas e resgatá-las é um gesto de amor à humanidade.
Não é possível compreender esse problema sem refletir sobre seus fundamentos culturais. No caso da sociedade brasileira, de ocidental cristão, o suicídio sempre foi tratado como uma abominação, uma traição a Deus. Hoje, mesmo em famílias agnósticas e de outras religiões, a carga emocional de atribuição de culpa ao suicídio o torna proibido. Essa pressão cultural, aliada à denominação de fraqueza no senso comum, segrega ainda mais aqueles que sofrem, sobretudo os jovens sem maturidade.
Tal fundamento religioso prejudica a discussão, mas há ainda a exposição aos novos arranjos sociais, que geram mais problemas emocionais e de autoestima. As redes sociais criaram novos padrões estimados de comportamento, corpo e imagem. Os números indicam o crescimento dos casos de suicídio concomitantes à popularização das redes sociais: de acordo com o Mapa da Violência, houve um crescimento de 10% entre 2002 e 2014, na faixa entre 15 e 29 anos de idade.
Dessa forma, percebe-se que a discussão é complexa e demanda uma integração das instituições sociais em torno do tema. As secretarias estaduais e municipais de educação e saúde devem manter rodas de diálogo e palestras em calendário permanente sobre o tema, de forma a identificar indivíduos com inclinações ao suicídio e encaminhá-los ao apoio psicológico. A execução de políticas públicas que apoiem entidades como o CVV e a atuação de igrejas em torno do tema é uma forma importante de estimular a atuação de outras entidades. Como a questão é o resgate do amor próprio, apenas pessoas são capazes de resgatar pessoas. O Estado brasileiro deve apoiar e dar publicidade a iniciativas que abram caminhos.