Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/07/2018
Em 1929, durante a crise da bolsa de valores de Nova York, um grande número de empresários cometeu suicídio ao descobrir que tinham falido. Nesse contexto, percebe-se nessa prática uma tentativa do indivíduo de acabar com o seu sofrimento e angústia. Hodiernamente, esse ato ainda se faz presente, principalmente entre os jovens. Acerca disso, é necessário entender o problema para preveni-lo, uma vez que os distúrbios mentais e ausência dos pais na vida do jovem são determinantes.
Primeiramente, é imprescindível destacar como o psicológico interfere nessa questão. Segundo a ciência, transtornos mentais como a depressão levam o corpo a liberar mediadores químicos que causam o sentimento de tristeza e apatia. Esse quadro, associado à falta de empatia da sociedade atual - que segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, é pautada por relações cada vez mais superficiais - leva à ideia de que o suicídio é a única solução para acabar com o sofrimento. Na série norte americana ‘‘13 Reasons Why’’, por exemplo, a protagonista se mata ao fim de uma série de problemas na escola por acreditar que essa era a única solução.
Além disso, a falta de presença dos pais na vida dos jovens também merece destaque. Desde o século XX, com a inserção da mulher no mercado de trabalho, os filhos passam cada vez mais tempo sozinhos. Dessa forma, a percepção da família de uma tendência suicida e o diálogo são cada vez menores. Nesse contexto, pessoas de má índole se aproveitam de veículos como a internet para induzir os jovens à esse ato. Exemplo disso, o jogo ‘‘Baleia Azul", que propõe uma série de desafios a serem cumpridos, sendo o último deles o próprio suicídio.
Portanto, diante desse quadro de distúrbios psicológicos e da ausência dos pais na vida do jovem, medidas devem ser tomadas. O Poder Judiciário deve propor uma política pública de intervenção nas escolas, por meio da contratação de profissionais da área da psicologia que palestrem e promovam o debate dessa questão, a fim de que o jovem perceba que o suicídio não é a solução. É essencial também que nessa política seja criado nas escolas um local de atendimento individual, no qual aqueles que precisarem de ajuda possa conversar e ter alguém para dar suporte em casos emergenciais. Ademais, a família deve ter um papel mais ativo na vida desses indivíduos, por intermédio do diálogo e de uma reprogramação da rotina, criando mais tempo no meio intra familiar. Dessa forma, a prevenção do suicídio poderá acontecer e esse ato será menos comum na realidade brasileira.