Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 03/07/2018

A obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, marco inicial do Romantismo na Europa, quando lançada, deu início a uma onda de suicídios devido à melancolia transmitida por meio de sua leitura. No entanto, apesar de ter sido produzida há aproximadamente três séculos, o cenário vivenciado após sua repercussão parece dialogar com o atual contexto brasileiro, visto que o número de suicídios no país é crescente, preocupante e tem aumentado cada vez mais, seja pela falta de auxílio por parte do corpo social, seja pela escassez de políticas governamentais.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que a ideia de modernidade líquida, defendida pelo filósofo Bauman, é cada vez mais notória na sociedade atual. Nesse viés, a liquidez das relações sociais, percebida pela pouca intensidade e durabilidade dessas, dá origem a um sentimento de solidão constante, que contribui para o elevado número de casos de suicídio entre os jovens. Prova disso é que, segundo dados do Centro de Valorização da Vida, quase 80% das pessoas que se suicidaram tentaram pedir ajuda em algum momento, no entanto, o fato de não terem sido levadas a sério ou não terem encontrado alguém disposto a conversar sobre o assunto, levaram-nas a concretizar o ato.

Em segunda instância, contrapondo-se à geração Ultrarromântica, que tinha o amor platônico como principal motivação para o suicídio, pesquisas da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 90% dos casos, a pessoa que tirou a própria vida sofria com algum tipo de transtorno mental, como a depressão. Nessa vertente, o professor Augusto Cury afirma que: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida”. Entretanto, a falta de políticas públicas voltadas à oferta de tratamento de doenças psicológicas a baixo custo faz com que muitos jovens que sofrem com distúrbios mentais não tenham condições de pagar pelas consultas e medicamentos. Dessa forma, o acesso aos recursos terapêuticos fica restrito às pessoas que possuem elevadas condições financeiras, aumentando, assim, o risco do suicídio entre as classes mais baixas da população.

Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, é conveniente que a mídia, em parceria com a população, crie e divulgue fóruns de apoio psicológico que reúnam especialistas e civis, a fim de dialogar e acolher cidadãos fragilizados, com o intuito de reduzir o número de suicídios por intermédio da solidificação das relações sociais. Outrossim, cabe ao Governo investir na contratação de psicólogos que atuem em escolas da rede pública realizando o acompanhamento psicológico dos alunos, e que atendam pelo Sistema Único de Saúde, com o fito de proporcionar a todos os brasileiros a oportunidade de tratar problemas psicológicos gratuitamente. Quem sabe assim, o suicídio, diferente do Romantismo, não se torne o “mal do século”.