Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 04/07/2018
Marco inicial do Romantismo na Europa, a obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther” do escritor Goethe, quando lançada, deu início a uma onda de suicídios devido à melancolia transmitida por meio de sua leitura. No entanto, apesar de ter sido produzida há aproximadamente três séculos, o cenário vivenciado após sua repercussão parece dialogar com o atual contexto brasileiro, visto que o número de suicídios no país é crescente, preocupante e tem aumentado cada vez mais, seja pela falta de auxílio por parte do corpo social, seja pela escassez de políticas governamentais voltadas a esse fim. Em primeiro lugar, convém ressaltar que a ideia de liquidez das relações pessoais, defendida pelo filósofo Bauman em sua obra Modernidade Líquida, é cada vez mais notória na sociedade atual. Nesse viés, a fragilidade dos vínculos sociais, percebida pela pouca intensidade e durabilidade desses, dá origem a um sentimento de solidão constante, que contribui para o elevado número de casos de suicídio entre os jovens. Prova disso é que, segundo dados do Centro de Valorização da Vida, quase 80% das pessoas que se suicidaram tentaram pedir ajuda em algum momento, contudo, o fato de não terem encontrado alguém disposto a conversar sobre o assunto, levaram-nas a concretizar o ato.
Em segunda instância, contrapondo-se à geração Ultrarromântica, que tinha o amor platônico como principal motivação para o suicídio, pesquisas da Organização Mundial da Saúde indicam que, em 90% dos casos, a pessoa que tirou a própria vida sofria com algum transtorno mental, como a depressão. Nessa vertente, o professor Augusto Cury afirma que: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida”. Entretanto, a falta de políticas públicas voltadas ao tratamento de doenças psicológicas a baixo custo, reflexo do sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS), faz com que muitos jovens que sofrem com distúrbios não tenham condições de pagar pelas consultas e medicamentos. Dessa forma, o acesso aos recursos fica restrito àqueles que possuem altas condições financeiras, aumentando assim, o risco do suicídio entre as classes mais baixas da população.
Mediante o exposto, faz-se necessária a adoção de medidas que solucionem o problema vigente. Destarte, é conveniente que a população crie grupos presenciais e fóruns de apoio psicológico online, a fim de dialogar e acolher cidadãos fragilizados, com o intuito de reduzir o número de suicídios por intermédio da solidificação das relações sociais. Outrossim, cabe ao Governo garantir o acesso universal à saúde, por meio da destinação de maiores verbas ao SUS, possibilitando a contratação de psicólogos e psiquiatras que atendam gratuitamente os civis, com o fito de proporcionar a todos os brasileiros a oportunidade de tratar problemas psicológicos. Quem sabe assim, o suicídio, diferente do Romantismo, não se torne o “mal do século”.