Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/08/2018

“Vivemos em tempos líquidos. Nada é feito para durar”. Esse foi o conceito dos relacionamentos interpessoais que permeou ‘Amor Líquido’, obra do sociólogo Zygmunt Bauman na qual o autor tratou das fragilidades das relações humanas nos tempos atuais, cuja solidez está cada vez menos presente. Com isso, há menos compreensão sobre a perspectiva do outro, o que contribui para a persistência do tabu acerca dos suicídios dos jovens no Brasil, além de fazer com que haja ainda mais imprevisibilidade nos resultados de tentativas de prevenção. Sendo assim, é importante dar mais atenção à essa problemática, a tratando como caso de saúde pública e sensibilizando a sociedade.

Em primeiro lugar, é importante desmistificar a ideia de fraqueza e carência fútil de atenção que a sociedade em geral tende a associar ao suicídio, pois termina sendo um desserviço a um problema que merece respeito e seriedade. Embora haja conhecimento da existência disso, há uma certa resistência em encará-lo de frente e ter mais compaixão com o próximo, devido à preocupação de cada um apenas com si próprio, sobretudo na juventude. Dessa forma, é essencial que a realidade dos jovens no país seja observada com mais cautela nos ambientes escolares e de lazer, tentando perceber cada detalhe que possa indicar uma tendência suicida, como o isolamento social e flutuações constantes de humor.

Além disso, é indubitável que tirar a própria vida é um dos casos mais recorrentes no que concerne o número de mortes no país. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil, que é uma faixa etária de grande risco devido à fatores como o bullying e pressões sociais para a inserção no mercado de trabalho. Diante disso, é visível a gravidade da situação e da falta de uma atuação melhor do Estado e da sociedade para reduzir esse problema. Destarte, é essencial que mais medidas sejam tomadas em prol do bem estar dessas pessoas.

Torna-se evidente, portanto, que há uma necessidade ainda maior de esforço por parte do Governo e da sociedade brasileira em geral para combater a alta taxa de suicídios entre os jovens. A partir disso, é imprescindível que ações como a do Centro de Valorização da Vida (CVV), cujo objetivo é ouvir e ajudar na superação de crises pessoais, sejam promovidas pela população, pelo Ministério da Saúde e pelos meios de comunicação, por meio da divulgação do número telefônico de atendimento ‘188’ e de implantação de novos postos de atendimentos presenciais, a fim de que haja mais alternativas de ajuda e de que o assunto seja mais debatido. Assim daremos os primeiros passos para reduzir consideravelmente o número de casos desastrosos entre os jovens brasileiros.