Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/07/2018

Em sua obra “O mundo como vontade e representação”, Schopenhauer relaciona o suicídio ao ato de acordar após um pesadelo terrível. Ao aplicar essa alegoria filosófica à atual realidade brasileira, nota-se, infelizmente, que muitos jovens optam por essa ação “despertadora”, haja vista o aumento de suicídios desses indivíduos no país. Dentro dessa problemática, vale destacar a predisposição ao surgimento de problemas mentais e o tabu existente sobre o tema, tornando possível certas práticas preventivas.

Em primeiro lugar, é necessária a compreensão de que a juventude, diferentemente da infância e da fase adulta, é um estágio transitório na vida de um indivíduo, pois este é obrigado a lidar com questões totalmente inéditas, como o funcionamento de certos hormônios e pressões sociais acerca de decisões acadêmicas e profissionais. Consequentemente, é notória a percepção de que na juventude existe uma predisposição para o surgimento de certos problemas psicológicos, como é o caso da depressão, que, segundo a Organização Mundial da Saúde, é um dos principais fatores que levam os jovens a cometerem suicídio. Dessa forma, é de suma importância que o suicídio não seja analisado isoladamente, mas sim dentro de um viés clínico e psicológico.

Além disso, é primordial o entendimento de que o suicídio, por estar relacionado a temas como problemas mentais, distúrbios psicológicos e à própria morte, torna-se, naturalmente, um assunto desconfortante, fazendo com que haja uma omissão social sobre o tema. Entretanto, essa negligência apenas atenua a problemática,pois, muitas vezes, uma conversa sincera e a busca por auxílio profissional pode evitar possíveis tragédias. Portanto, é crucial que essa questão deixe de ser um tabu, facilitando a comunicação e a procura por ajuda profissional.

Dessarte, é explícito que o suicídio entre os jovens brasileiros é uma realidade que assola o país, sendo urgente a ocorrência de certas medidas. Os Governos Municipais de todo o Brasil, por meio de parcerias com órgãos públicos de saúde, devem criar núcleos de atendimento clínico gratuito aos jovens que apresentem certas predisposições suicidárias, garantindo um apoio profissional individual.

Ademais, as escolas, públicas e privadas, por intermédio de reformulações nas ementas escolares, devem articular palestras com psicólogos que, com a presença de familiares, debatam o suicídio entre os jovens, estimulando tanto o debate quanto a busca por auxílio médico. Assim, os jovens brasileiros irão cada vez menos recorrer ao despertar schopenhauriano.