Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/07/2018

A obra literária “Os sofrimentos do jovem Werther”, escrita no século XVII pelo alemão Johann Wolfgang, retrata a história do protagonista Werther, que encontra no suicídio a libertação de seus problemas. Entretanto, passado mais de 300 anos após a obra, o suicídio entre jovens é cada vez mais expressivo na sociedade brasileira, sendo usada, ainda, como forma de libertação. Nesse sentido, cabe analisar as causas sobre esse problema na saúde pública, promovendo caminhos para prevenir o autocídio entre os jovens brasileiros.

A princípio,  a depressão proporciona o sentimento de solidão e abandono, o que leva, em muito das vezes, ao ato de tirar a própria vida. Esse ato é indubitavelmente cada vez mais notável entre os jovens. Prova disso é o fato divulgado pelo jornal “O Globo” em 2017, em que foi publicado sobre dois jovens, depressivos, que cometeram suicídio no colégio Bandeirante em São Paulo. Ademais, segundo uma pesquisa realizada pela BBC, baseada no atual Mapa de Violência do Brasil, a taxa de suicídio na juventude subiu cerca de 10% em menos de dez anos, isso mostra que a taxa desse ato é expressiva.

Além do mais, o descaso da família com o adolescente é outro impulso ao suicídio. O livro “Os treze porquês”, produzido por Jay Asher, é um exemplo de como a desatenção familiar com os problemas psicológicos enfrentados pelo filho, pode tornar-se um motivo de autocídio. De acordo com o ideário do sociólogo Jacob Waiselfiz, o mazelo - principalmente dos pais - acerca de seus filhos é um alerta de um intenso sofrimento dos mesmos, o que leva o jovem à ruína emocional, e, resta-se apenas, o suicídio como forma de libertar-se de tudo o que tem passado. Em suma,é notável que o autocídio é uma forma de se livrar das angústias sociais e familiares enfrentadas pelo indivíduo.

Fica claro, portanto, que enquanto não houver uma aplicação de uma força em um corpo, segundo Newton, ele tende a não se mover, o mesmo ocorre com o suicídio. Para promover caminhos de prevenção é dever do Ministério da Saúde aliado ao Governo, impulsionar debates sobre as causas do suicídio nas escolas e espaços públicos, permitindo o diálogo aberto com especialistas, para gerar não só um sentimento de “vai ficar tudo bem”, mas também de amenização dos sofrimentos. É necessário, também, combinar tratamento psicológico/ psiquiátrico para os jovens depressivos com uso de medicamentos. É tarefa também do SUS fornecer medicamentos gratuitos para pessoas sem condições de comprá-los. Já à família, cabe o zelo pelo seu filho, procurando ter constantes conversas sobre como está se sentindo e como podem enfrentar aquele problema juntos, assim, a família estará ajudando e apoiando-o em suas decisões, a fim de evitar o autocídio. Por fim, não só a taxa de suicídio será amenizada como também haverá o maior sentimento de empatia na sociedade.