Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 13/07/2018
“Saio da vida para entrar na história”. Foram com essas palavras que em meio à uma considerável crise política o então presidente brasileiro Getúlio Vargas registrou seu suicídio. Apesar do ocorrido referenciar o século XX, no limiar hodierno essa problemática ainda é vista com muito receio e associada à um sinal de fraqueza. No entanto, faz-se necessária uma mudança de pensamento pois tal prática é crescente entre os jovens do Brasil, seja pelo tabu construído sobre as doenças mentais, seja pela ausência de laços socioafetivos significativos.
Sob tal ótica, o mundo atual altamente globalizado encontra-se imerso na lógica hipercapitalista, na qual o frequente estresse e cobranças de produção propiciam uma conjuntura favorável à ocorrência e doenças mentais - como depressão, bipolaridade e esquizofrenia. Presentes entre as causas de suicídio, essas acometem sobretudo os jovens devido à pressão social que lhes é prematuramente imposta. Somado a isso, historicamente há uma associação entre os transtornos mentais e a falta de vontade do indivíduo de superar os entraves da vida, o que reproduz na modernidade um antigo tabu de que os conflitos mentais podem ser resolvidos pela força do querer. Dessa forma, os jovens são altamente prejudicados, visto que há desinformação e ausência do debate sobre o assunto.
Por conseguinte, segundo o sociólogo Émile Durkheim, há três tipos de suicídios: anômico, altruísta e egoísta. Sendo este último o mais comum, pode-se caracterizá-lo pela baixa integração social, a qual a ausência de laços socioafetivos significativos leva o indivíduo a perder o senso de pertencimento e valor em relação ao mundo que o rodeia. Devido à pós modernidade chamada de líquida e frágil por Bauman, a sociedade objetifica e descarta as relações sociais, o que gera uma instabilidade emocional, sobretudo nos inexperientes jovens, que são cobrados acadêmica, profissional e pessoalmente. Tal conjuntura alimenta o ciclo de desespero e incertezas que origina os referidos transtornos mentais.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para conter o crescimento do suicídio entre os jovens. Assim, o Ministério da Saúde deve, em primeira instância, incrementar a campanha já existente do Setembro Amarelo mediante a formação de grupos de debate nas UPA’s e Clínicas da Família a fim de desconstruir o tabu social e permitir a abertura de ajuda aos jovens. Ademais, as escolas, em parceria com as famílias, devem incentivar os jovens a praticarem exercícios físicos e participarem de movimentos sociais, além de promover o diálogo como meio de estabelecer relações sólidas e a noção de integração social. Dessa forma, a sociedade progressivamente manter-se-à distante do exemplo de Getúlio.