Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 13/07/2018

Funcionando conforme a segunda lei de Newton – a lei da inércia -, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em um movimento até que uma força suficiente atue sobre ele mudando seu percurso, o agravamento nos índices de suicídio configura-se como um problema que persiste na sociedade brasileira há algum tempo. Dessa forma, convém analisarmos as principais consequências de tal histórica problemática para a sociedade.

Em primeira análise, vê-se que a depressão e suas consequências tem traçado uma ascendente curva na sociedade brasileira. Segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, são cerca de 11 mil suicídios ao ano, sendo esta a segunda maior causa da morte de jovens entre 19 e 25 anos. Diversas são as causas para tal problemática, dentre elas, destaca-se a época de modernidade líquida vivenciada pela atual sociedade brasileira. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a fluidez nas relações estabelecidas entre os indivíduos faz com que a sociedade não mais consiga desenvolver ferramentas de socialização eficientes. Nesse contexto, as pressões e estereótipos impostos aos jovens para que se enquadre no padrão do considerado belo, inteligente e popular, servem para agravar a sensação de mal-estar social, que acaba por delinear-se em novas categorias psiquiátricas.

Outrossim, destaca-se ainda, como agravante do problema o fato de – em virtude de heranças históricas marcadas por dogmas religiosos - o assunto ser tratado como “tabu” na sociedade brasileira. Todavia, a não problematização do assunto em ambientes escolares, familiares e até mesmo entre profissionais de saúde, resulta na inércia daqueles que deveriam estar preparados para lidar com tais situações. Ademais, cita-se ainda, o despreparo do SUS para lidar com tais casos. Segundo o Conselho Federal de Medicina, nos últimos 11 anos houve uma redução de 40% dos leitos psiquiátricos ofertados, dados alarmantes para o 8° país com maior índice de suicídio no mundo – segundo a OMS.

É evidente, portanto, a necessidade da solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, cabe ao Ministério da Saúde a ampliação e aprimoramento no quadro de serviços ofertados no tocante a prevenção e tratamentos psiquiátricos, além da promoção de cursos para profissionais da saúde que objetivem capacitá-los a agir da forma correta em tais situações. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir nas escolas a educação em saúde mental como componente curricular obrigatório, além da promoção de palestras com psicólogos que visem a conscientização e debate sobre o assunto entre pais e filhos. Dessa forma, o tecido social se desprenderá de certos tabus e não mais viverá na realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.