Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/07/2018

A segunda geração do romantismo, conhecida como mal do século, produzia textos literários voltados para o desapego com um exacerbado sentimentalismo e pessimismo doentio, como forma de escapar da realidade e dos problemas da sociedade na época. Na atual conjuntura, esse retratado social não é diferente, representando um desafio a ser enfrentado, de forma mais organizada no Brasil, visto que, o crescimento do número de suicídios, principalmente entre os jovens, evidencia a concretização dessa fuga da realidade. Dessa forma, é necessário avaliar as causas dessa crescente prática, que prejudica as relações sociais, para assim, preveni-la.

De início, cabe salientar que o imediatismo da sociedade produz efeitos negativos aos indivíduos. Segundo Émile Durkheim, a causa para todos os tipos de suicídio são sociais, mormente para o tipo de suicídio egoísta, cujas relações entre os indivíduos e a sociedade afrouxam se, fazendo com que a pessoa não veja mais sentido na vida. Observa-se que os desejos sociais podem ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, as pressões externas para entrar na faculdade cedo, ter um trabalho reconhecido e de sucesso ou possuir uma vida estável são idealizações produzidas socialmente. Logo, quando esses desejos não são alcançados pelos jovens, isso gera uma enorme descrença em si mesmo, desencadeando transtornos mentais, como a depressão e a falta de razão para viver.

É notório, ainda, que a banalização da depressão, em casos extremos, leva ao suicídio. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídios ligados à depressão, poderiam ser evitados com tratamento preventivo. Sabe-se que o negligenciamento e o tabu associados aos problemas psicológicos, interferem, diretamente, na busca e na aceitação por ajuda profissional. Por conseguinte, o jovem é levado a um esgotamento mental, a angustia e tristeza contínuas e extrema ansiedade, vendo no suicídio sua única saída. Assim, apesar das campanhas de prevenção ao suicídio, como o Setembro Amarelo e o Centro de Valorização à Vida (CVV), infelizmente, há altos casos de suicídios entre os jovens.

Fica claro, portanto, que o suicídio ainda requer ações mais efetivas, para ser prevenido no Brasil. Nesse sentido, o Governo Federal deve criar projetos de saúde pública destinados ao suicídio, por meio do Ministério de Saúde, com a disponibilização nas Clinicas da Família, principalmente, as mais próximas de escolas e universidades, auxílio semanal e domiciliar de psicólogos e psiquiatras, grupos de apoio e conversação, medicamentos, palestras, além da ampliação do CVV a nível nacional. Espera-se, com isso, ajudar quem realmente precisa, evitando que o suicídio seja uma opção. Dessa maneira, será possível minimizar, gradativamente, a problemática.