Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/07/2018

O poema “A gente se acostuma” de Marina Colasanti sintetiza perfeitamente a situação atual da nossa sociedade. As pessoas se acostumam a trabalhar em salinhas fechadas, ao cinza das cidades, a serem ignorados quando mais precisam ser ouvidas, o desespero levando-as à achar que só existe uma saída: o suicídio. Muitos jovens brasileiros tem vivido essa realidade, e a desesperança os leva a cometer esse ato. Desde 1960, o número de suicídios aumentou em 60% no Brasil, fazendo dele um problema de saúde pública, sendo sua maior causa a falta de debate sobre o assunto. Para tal, cabe analisar esse ato sobre os aspectos do fato social e de agravantes, como transtornos mentais.

Primeiramente, no seu livro “O Suicídio”, Durkheim discutiu sobre o que leva as pessoas a cometerem suicídio, chegando à conclusão que o Fato Social, a coerção que a sociedade exerce sobre o indivíduo, como costumes de uma comunidade, pode fazer com que pessoas cometam esse ato. A quebra da bolsa de valores em Nova York em 2008, por exemplo, causou uma grande onda de suicídios, visto que, muitas pessoas perderam todos os seus bens. A pressão social sobre os estudantes também é considerável, e universidades como a USP alertam sobre o índice de tentativas de suicídio entre os alunos.

Ademais, o mundo globalizado é permeado de relacionamentos efêmeros, conexões fracas e solidão, consequência de um mundo líquido, tese do sociólogo Zygmund Bauman. Essa situação cria um vazio existencial, que associado a transtornos como ansiedade, depressão e o uso de drogas faz com que muitos jovens cometam suicídio: mais de 90% dos casos estão relacionados a esses transtornos, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de debate sobre impede os amigos e familiares de reconhecer sinais de que alguém esteja pensando em suicídio.

Os altos índices de suicídio entre os jovens brasileiros deve, portanto, retroceder. Para tal, o debate sobre o assunto em casa, na escola e na mídia tem que tomar espaço, sem tabus, pois o único meio de prevenir o suicídio é o diálogo sobre o assunto. Assim, o MEC deve realizar palestras trimestrais nas escolas com psicólogos e especialistas no assunto para alunos, pais e professores sobre a importância de conversar sobre o suicídio, a coerção social que pode levar ao ato e comportamentos que delimitam grupos de risco e sinais de alerta, como mudanças de comportamento. Afinal, de acordo com dados do CVV (Centro de Valorização da Vida) 90% dos atos poderiam ter sido evitados. O Ministério da Saúde deve, também, democratizar o acesso à psicólogos, tornando mais fácil seu acesso. Com tais medidas, a juventude verá que existem outras opções além de tirar a própria vida.