Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/09/2018
Na obra Veronika Decide Morrer, de Paulo Coelho, a jovem, que até então possuía uma vida considerada perfeita, resolve tomar quantidades exorbitantes de remédios, com intuito de nunca mais acordar. Porém, ela é resgatada e levada a um hospital psiquiátrico, a fim de tratar essa “instabilidade mental”. Embora esses acontecimentos tenham ocorrido somente em uma ficção, no limiar do século XXI, muitos jovens estão a sofrer com os mesmos problemas de Veronika: uma angústia profunda e a recorrência à morte como última solução. O que torna a depressão e, posteriormente, o suicídio entre os adolescentes o grande mal do século.
Deve-se frisar o fato de que esse tormento no âmago do ser humano tem precedências de séculos atrás. No Brasil, durante o período escravocrata, é notório que houve inúmeras mortes, todavia, pouco sabe-se que parte delas foram causadas pelo Banzo: um ritual onde os escravos, melancólicos com a sua realidade, engoliam areia, com o intuito de pôr um fim as suas vidas. Ademais, durante a 2º Fase Romântica, a obra Os Sofrimentos do Jovem Werther, do escritor alemão Goethe, trouxe de volta o mesmo sentimento dos escravos. Contudo, o amor platônico era o gerador dessa angústia, o que levou milhares de jovens a buscarem a morte como um conforto de um sentimento não correspondido. Por conseguinte, somente a partir desse momento, o suicídio começou a obter maior atenção da sociedade. À vista disso, órgãos começaram a se mobilizar para combater essa problemática, porém sem obter um concreto êxito. Uma Organização Não Governamental criou o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma associação que tem como objetivo prevenir o suicídio, oferecendo uma base muitas vezes inexistente no cotidiano das pessoas: alguém que possa ouvir um desabafo e ajudar com uma palavra amiga. Entretanto, uma apuração realizada pelo Ministério da Saúde (MS) apontou que entre os anos de 2000 e 2016 houve um crescimento de 73% de suicídios entre os jovens. Inferindo-se que embora agora haja ajuda disponível, ainda há um longo caminho que terá de ser percorrido para que essas estatísticas diminuam exponencialmente.
Portanto, é necessário ressaltar a tamanha proporção que esse grande mal tomou e que sem relevantes mudanças ele crescerá gradativamente. Em primeiro lugar, é de suma importância que o Ministério da Tecnologia e Comunicação fortaleça o projeto CVV por meio de propagandas motivadoras na mídia e em redes sociais, a fim de que elas possam atingir o maior número de pessoas que necessitam de auxílio, porém não possuem informações ou as condições necessárias para recorrer a esta ajuda. Então, desse modo, haverá um real apoio da sociedade para que todas as tristezas e desamparos façam parte somente do passado.