Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 29/07/2018

Na obra alemã “Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goete, publicada em 1774, narra-se a história de um rapaz, o qual suicidou-se após uma grande desilusão amorosa. Tal livro causou na época certa influência para outros suicídios- o que foi chamado de “Efeito Werther”. Entretanto, séculos depois da publicação desse livro o suicídio continua sendo uma problemática muito atual, principalmente entre os jovens. Isso ocorre, não raro, por transtornos psicológicos, por frustrações pessoais, entre outros motivos.

Primeiramente, 30% dos jovens brasileiros sofrem com algum distúrbio mental, segundo pesquisas realizadas pelo Ministério da Saúde, o que, na maioria das vezes, acarreta distorção da percepção da realidade por esses indivíduos e aumento da impulsividade. Dessa maneira, os jovens, que não possuem o sistema nervoso completamente desenvolvido até cerca dos 25 anos, tornam-se ainda mais suscetíveis a realizarem atos inconsequentes em momentos de tristeza extrema e desespero, buscando, muitas vezes, o suicídio como forma de solução imediata de circunstâncias angustiantes.

Ainda vale lembrar que, diversas vezes, a ideia de vida perfeita exposta nas redes sociais não é verdadeira, pois raramente são postadas situações que não sejam felizes e agradáveis, ou seja, quase a totalidade das pessoas somente posta o que faz parecer com que suas vidas não possuem defeitos. Portanto, inúmeros indivíduos na fase da juventude sentem-se pressionados a também possuírem esse padrão de vida, porém esse objetivo é quase inalcançável para a maior parte da população, ocasionando frustração, a qual pode gerar diferentes problemas, entre eles, em casos mais extremos, o suicídio.

Dessa forma, é imprescindível que o suicídio entre os jovens no Brasil seja amplamente combatido. A fim de que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Educação, em conjunto com as escolas do país, realizem, desde as fases mais tenras, aulas e palestras direcionadas sobre o tema nos institutos educacionais, juntamente com o apoio de psicólogos e psiquiatras no cotidiano escolar. Ademais, é de suma importância que as famílias atuem de forma instrutiva e aberta, através de, por exemplo, diálogos explicativos que desconstruam o preconceito sobre o suicídio e problemas psicológicos. Além disso, é preciso que a mídia, com seu papel influenciador, repasse, por intermédio de mais comerciais televisivos, mais informações sobre os meios de tratamento e atendimento, como, o número gratuito de orientação 188. Afinal, é primordial que o assunto do suicídio seja concretamente discutido no Brasil, sem medo do suposto “Efeito Werther”, que não ocorrerá se o tema for abordado corretamente.