Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 07/08/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil do futuro”. No entanto, quando se o observa a deficiência de medidas para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil. Nesse sentido, torna-se evidente a exclusão social como uma das causas, bem como uma ação conjunta do Poder Público com o corpo social para solucionar o impasse.

É indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência impulsionam o problema. Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que a falta de esclarecimento da população, propiciada pelo governo, acerca dos transtornos mentais e da disponibilização tratamentos eficazes rompe essa harmonia, haja vista que quanto mais os jovens conhecem sobre transtornos mentais que podem levar ao suicídio, como a depressão, a bipolaridade e a esquizofrenia, maior a probabilidade de procurar atendimento se necessário. Entretanto, devido a ausência de investimentos governamentais, isso não é firmado.

Outrossim, o individualismo associado ao advento da internet, decorrente da terceira da Revolução Industrial, estão entre as causas da problemática. Isso pode ser justificado pelo conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o individualismo. Dessa maneira, o sujeito, ao estar imerso nesse panaroma líquido, acaba por perpetuar sua própria exclusão, visto que muitos jovens se isolam em redes sociais visando fugir da realidade, se refugiando em sua utopia.

Logo, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Destarte, o Estado deve criar projetos de auxílio psicológico, intermediados por psicólogos e psiquiatras, à jovens que possuem transtornos mentais, além de incentivar a criação e ampliação de associações civis sem fins lucrativos, como a Centro de Valorização da Vida, que oferecem aconselhamentos à pessoas em crise, de modo que sejam demovidas do plano de morrer e os leve à uma saída. Ademais, a mídia e as redes sociais deve abordar o tema em documentários na TV, em personagens de novelas e em campanhas no ambiente virtual, através da divulgação do comportamento suicida, fatores que podem agravar esse pensamento e as formas de ajuda, visando a ampliação de informação e essencialmente o debate social. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.