Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 02/08/2018
A crise de 1929, também descrita como “Grande Depressão”, foi uma das maiores oscilações econômicas já sofridas pelo mundo que culminou com o suicídio em massa de civis, os quais se haviam endividado e não conseguiram arcar com o próprio sustento, devido às grandes taxas de desemprego. Destarte, o sociólogo Émile Durkheim descreve o suicídio como fenômeno que tem suas causas advindas de fatores sociais. Assim, percebe-se que esse problema de saúde pública já se alastra ao longo dos anos e, hodiernamente, no Brasil, a taxa de suicídio faz-se crescente, evidenciando a urgência de intervenções que visem combater tal mazela.
Primeiramente, o artigo 6º da Constituição Federal estabelece, dentre outras coisas, a saúde como direito social fundamental. Contudo, tal direito é mais observado na teoria do que na prática, uma vez que é indubitável dizer que o suicídio já é considerado um problema de saúde pública, mas infelizmente ainda é tratado como tabu não só pelo governo como também por parte da sociedade. Isso pode ser observado pela insuficiência de políticas públicas específicas a essa temática e pelo pensamento arcaico de algumas pessoas que consideram o ato de alguém tirar a própria vida como “frescura”. Outrossim, como observado por Durkheim, fatores sociais estão sempre relacionados com o suicídio. Nesse sentido, nota-se a grande incidência de casos de autoextermínio de crianças e adolescentes, visto que os mesmos, em decorrência de falta de maturidade, estão mais suscetíveis aos transtornos psicológicos ocasionados por bullying e adversidades de cunho familiar. Por conseguinte, muitas vezes jovens não compartilham o modo como estão se sentindo com aqueles à sua volta por medo de serem julgados. Tal atitude é reflexo do medo da sociedade em debater sobre essa problemática que está cada vez mais presente nos dias atuais.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para que a saúde seja tratada como estabelecido pelo artigo 6º, e com isso o suicídio seja visto com a devida importância. Sendo assim, é mister que Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação promova, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos por meio de encontros trimestrais que abordem temas como combate ao bullying e ao suicídio, com a participação de alunos, pais e responsáveis, objetivando estimular as famílias a não se privarem de conversar sobre o assunto, de modo que os jovens se sintam confortáveis para exporem suas angústias. Ademais, o Governo Federal deve tornar obrigatória a exibição de comerciais na televisão, em diversos canais, de campanhas promovidas por organizações governamentais ou não, com a finalidade de divulgar o trabalho dessas organizações para que possa atingir o maior número de pessoas possível e, assim, ajudar cada vez mais pessoas.