Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/08/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca dos caminhos para prevenir o suicídio entre jovens no Brasil. Segundo Martin Luther King, ativista estadunidense, a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar. Nessa lógica, observa-se um distanciamento desse ideal na contemporaneidade, uma vez que o suicídio, um problema de saúde pública, é considerado um tabu social e é negligenciado por uma parcela da sociedade. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar as motivações desse comportamento e as formas de prevenção.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que, no Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de óbito entre jovens de 15 a 29 anos. Isso ocorre, sobretudo, em razão de acontecimentos que funcionam como estopins para o autoextermínio, como abuso, fracasso amoroso, morte de um ente querido e falência financeira. Dessa forma, o indivíduo que já encontra-se em situação de tristeza, ao passar por uma situação devastadora, comete o suicídio com o intuito de erradicar a dor. Para ilustrar, em 2012, um menino de 12 anos se suicidou em Vitória, no Espírito Santo, após ser alvo de bullying na escola devido ao seu peso. Nessa circunstância, nota-se conformidade com o pressuposto de Émile Durkheim, o qual diz que o suicídio é um fato social, posto que o meio social pode evitar ou estimular o acontecimento.
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que, existem gatilhos externos que podem influenciar uma pessoa, em condição vulnerável, a cometer suicídio. Vale salientar que, frequentemente, isso advém da glamorização e da romantização do ato de atentar contra a própria vida. Com isso, um relato ou representação dessa ação pode desencadear processos emocionais complexos em adolescentes. Para corroborar, é útil o caso que ocorreu em 2017, no qual um peruano de 23 anos deixou gravações supostamente inspiradas pela série 13 reasons why, da Netflix, antes de se suicidar. Assim, percebe-se a importância de seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde ao retratar esses eventos na mídia, dado que podem surtir o efeito adverso ao conjecturado.
Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. O Ministério da Saúde em parceria com ONGs, deve realizar campanhas sociais e palestras públicas com profissionais da área de saúde mental, a respeito dos sintomas, mitos e formas de auxiliar quem precisa, além de oferecer cursos gratuitos de prevenção e identificação dos sinais do suicídio à professores do ensino básico e acadêmico, com o objetivo de viabilizar o reconhecimento dos sintomas e tornar possível a ajuda. É imprescindível, também, que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, recomende a suspensão da exibição de conteúdos que retratem indevidamente o suicídio e que podem motivar o ato, com o propósito de evitar a ocorrência da autoaniquilação no Brasil.