Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 12/08/2018
A série “13 Reasons Why”, lançada pela “Netflix”, aborda a história de Hannah Baker, uma jovem que, após ser vítima de diversos abusos físicos e psicológicos, comete suicídio. Tal obra, que ganhou grande popularidade no Brasil, gerou uma série de discussões a respeito da necessidade de se falar abertamente sobre o suicídio e sobre adoecimentos psíquicos que vêm, gradativamente, acometendo uma parcela maior da população.
Diante dessa realidade preocupante, nota-se um aumento nas estatísticas de casos de suicídio no Brasil, principalmente entre os jovens entre 15 e 29 anos, o que nos leva a refletir sobre o papel do Estado e até mesmo dos próprios familiares, que deveriam desenvolver práticas de inclusão e apoio para com esses indivíduos, mas que acabam por falhar nessa tarefa. Essa visão pode ser facilmente entendida quando passamos a enxergar o suicídio não como uma prática individual, mas sim como um fenômeno decorrente de problemas enfrentados pelo indivíduo dentro de uma sociedade, ponto já anteriormente defendido pelo sociólogo Émile Durkheim, que via o suicídio como um fato social, ou seja, como uma consequência de variáveis sociais que colocavam a pessoa diante de uma angústia tão profunda e insuportável que a levava a acreditar que somente cessaria com o fim da vida em si.
Sendo assim, perante o cenário no qual estamos inseridos, derivado de uma ótica totalmente capitalista, percebemos que as pessoas começam, desde muito cedo, a sofrerem uma pressão exacerbada de toda a sociedade, que preza pelo desenvolvimento pessoal por um ponto de vista totalmente deturpado, associando lucro e riquezas à realização profissional. Por conta disso, grande parte das pessoas que não conseguem se encaixar nesse sistema ou que não se encontram felizes dentro dele acabam por desenvolver problemas psicológicos, como ansiedade, crises de pânico e depressão, que atualmente acometem a maioria dos estudantes brasileiros que, desamparados diante de uma comunidade que banaliza seus sofrimentos e esforços, enxergam no suicídio a única saída.
Levando em consideração os fatos supracitados, medidas são necessárias. O Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, deve realizar programas de acompanhamento psicológico em escolas e universidades de todo o Brasil, mediante parceria com psicólogos e especialistas, visando o suporte para jovens e adolescentes que se encontram em uma faixa etária de risco. Ademais, o Ministério das Comunicações deve realizar campanhas em rede nacional que alertem os familiares sobre a necessidade de se fazerem presentes e serem compreensíveis diante dos filhos, além de fomentar o uso de caminhos como o Centro de Valorização da Vida (188) em detrimento de atos impulsivos que podem levar a consequências trágicas.