Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/08/2018

O ato de tirar a própria vida não caracteriza uma prática exclusiva da modernidade, sendo feita desde a Grécia Antiga, como método de se obter a liberdade perante o sofrimento. Por sua vez, o suicídio entre jovens cresce no Brasil. E é, por si só, uma problemática complexa, mas que pode ser primordialmente refletida acerca de dois pontos: os conteúdos a que os jovens tem acesso através da internet e tv e as doenças psicológicas que acometem, sobretudo, os estudantes.

Em primeira análise, consoante o filósofo francês Michel Foucault, a carência de debate acerca de temas tabus, dificulta sua superação. Nesse sentido, muitos jovens na falta de alguém confiável para conversar sobre saúde mental, recorrem a fontes duvidosas. Por exemplo, recentemente se popularizou uma série que trata do suicídio na adolescência. Entretanto, o desfecho irresponsável do programa levou diversos jovens a tentarem tirar a própria vida. Na mesma época, um “jogo” estimulava vítimas à atentarem contra si, através da internet. Logo, é notável a necessidade de que o tema seja abordado com os jovens em casa e nas escolas, contribuindo para a superação do tabu e possivelmente de suas consequências finais.

Outrossim, são recorrentes sintomas depressivos em estudantes universitários, sobretudo, de cursos concorridos. Entre março e abril de 2017, ocorreram 6 tentativas de suicídio entre alunos do 4o ano de medicina na USP, o que alertou a comunidade. Paradoxalmente, há uma estreita correlação entre o alto desempenho acadêmico e tendências suicidas. Isso pode ser compreendido, pois os jovens sofrem muita pressão com a responsabilidade de alcançarem altos padrões, além de que muitos já apresentam algum tipo de vulnerabilidade neurológica. Dessarte, parafraseando o sociólogo Émile Durkheim, no suicídio não é o indivíduo que “se joga”, mas a sociedade que o empurra.

Diante do exposto, urge a necessidade de controle da problemática. Programas governamentais como o disque centro de valorização da vida, são importantes e devem ser mais divulgados. Ademais, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, devem criar programas que encaminhem psicólogos e/ou psiquiatras para palestrar para estudantes nas instituições. Além da necessidade da implantação de um plantão com profissionais da saúde mental, dentro das universidades, a fim de que atendam gratuitamente os jovens. Tidas ações mostram-se extremamente necessárias, afim de coibir o suicídio entre jovens no Brasil.