Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 12/08/2018

Uma vivência incompreensível

Para Oscar Wilde, que viveu no século XIX, época de grande avanço do racionalismo, " O primeiro passo é indissociável à evolução de um homem e/ou nação". Dessarte, atualmente, com o aumento dos casos de suicídio entre jovens brasileiros, a frase do escritor britânico sintetiza uma necessidade para a prevenção desse revés: sair da inércia. Nesse contexto, faz-se imprescindível medidas assertivas que combatam esse problema, que é visto como uma forma de libertação entre os jovens e, muitas vezes, tem ingerência social.

É preciso considerar, antes de tudo, que o suicídio surge, muitas vezes, como uma válvula de escape para muitos adolescentes. No Brasil, sobretudo na segundo metade do século XX, a caracterização do país como uma nação jovem era encarada como algo positivo, tanto econômica quanto culturalmente. No entanto, atualmente, essa visão em relação aos jovens parece ter ficado em segundo plano, ou seja, a falta de emprego, pertencimento social e perspectiva futura é o que designa a juventude brasileira. Diante disso, encarar o suicídio entre os jovens brasileiros como algo inesperado não passa de uma visão esdrúxula, pois é o Estado que faz dos jovens protótipos para um porvir que, desde a década de 1970, jamais chegou. Logo, se não há uma perspectiva do futuro, o próprio presente se torna incerto.

Outrossim, é imprescindível ressaltar que o ato suicida tem influencias sociais. Dessa maneira, para o sociólogo Émile Durkheim, em seu livro  “O suicídio”, o processo de acabar com a própria vida  não é apenas uma atitude, meramente, individual, isto é, as dinâmicas sociais impactam, diretamente, na decisão do indivíduo. Seguindo essa lógica, o jogo da “baleira azul” , no qual indivíduos induziam jovens com baixa autoestima a participarem de um jogo que continha etapas, dentre as quais a última era atentar contra a própria vida, demonstra que as relações interpessoais podem contribuir para o autocídio. Essa situação demonstra a falta de empatia entre os sujeitos sociais, no qual o sofrimento do outro é visto como uma oportunidade, para alguns indivíduos , de induzi-lo a retirar a sua própria vida.

Fica evidente, portanto, a necessidade da ruptura com o imobilismo para combater esse problema. Para tanto, cabe à escola e às ONGs, em parceria, trabalhar com os jovens, mediante debates, palestras e projetos sociais, os sentimentos que contribuem para o suicídio, demonstrando a importância do diálogo franco e aberto para o combate dessa adversidade. Ademais, cabe à mídia abrir um debate entre a população, por meio de novelas e filmes, visando transmitir as importância da busca por profissionais capacitados para lidar com os jovens que possuem pensamentos suicidas. Somente assim, a compreensão dos registros interpessoais levará a ruptura desse cotidiano mal entendido.