Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Desde a segunda geração romântica, conhecida como ‘‘mal do século’’, percebe-se a valorização da morte como fuga do conflito emocional e um meio de pôr fim ao sofrimento humano ligado ao relacionamento amoroso, fomentando a prática de suicídio entre os jovens. Embora a sociedade tenha sofrido mudanças comportamentais e culturais, tal comportamento ainda se faz presente no século XXI, no entanto, motivado por outras questões. As constantes cobranças sociais e o tratamento indiferente dos cidadãos, para com o ato suicida entre os jovens brasileiros, dificultam o combate dessa realidade.

Nesse contexto, a pressão social sobre os indivíduos contribui para tal problemática. De acordo com o sociólogo Durkheim, em sua obra ‘‘O Suicídio’’, o fato de os indivíduos serem estimulados de maneira exacerbada, a corresponder às expectativas das instituições sociais, como as famílias, as escolas e o trabalho, deixa-os mais propensos ao comportamento suicida. Isso ocorre, por exemplo, porque, ao mesmo tempo que se estimula o anseio de se tornar um profissional de alta qualificação, bem-sucedido e reconhecido, os jovens encontram dificuldades no âmbito psicológico, lidando mal com essas exigências. Dessa forma, favorece-se o desequilíbrio mental, uma vez que aqueles estão sujeitos ao ambiente de estresse nessa busca incansável, fomentando o risco para o suicídio.

Ademais, a negligência da sociedade para com a temática é um dos fatores agravantes. Há quem diga que  alguns cometem o ato pela falta de religião, ou até mesmo com o intuito de ter a atenção voltada para si. Entretanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que os casos de suicídio são oriundos, em sua maioria, das consequências das doenças psiquicas, como a depressão e a ansiedade, pois provocam mudanças no funcionamento químico do sistema nervoso, podendo provocar atitudes de atentado a própria vida. Logo, percebe a falta de empatia dos indivíduos, ao não se sensibilizarem com as questões psicológicas dos jovens dificulta o combate de tal comportamento.

Nessa perspectiva, o intenso nível de exigência da sociedade e a manutenção da negligência social são empecilhos no combate ao suicídio. Assim, torna-se necessário que as instituições educacionais promovam o apoio emocional dos jovens para lidar com as cobranças sociais, por meio de palestras e atendimentos semanais com especialistas, como pedagogos e psicólogos, a fim de manter a saúde mental e previnir os atentados contra a própria vida. Outrossim, cabe ao Ministério da Saúde alertar a população sobre a relação das doenças psicológicas e o comportamento suicida, por intermédio de propagandas nas redes sociais, como ‘‘Facebook’’ e ‘‘Twitter’’, com o objetivo de tornar tal prática como assunto de saúde pública e estimula quem sofre desse mal a procurar auxílio médico. Portanto, seremos capazes de afastar as influências comportamentais da geração romântica.