Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/08/2018
No contexto da Segunda Geração Romântica, constata-se que as obras literárias eram pautadas pelo pessimismo e melancolia, sentimentos estes que, muitas das vezes, levavam os autores a enxergar a morte como uma alternativa de fuga da realidade problemática na qual os indivíduos estavam inseridos. Atualmente, nota-se que algumas características ultrarromânticas ainda afligem a sociedade brasileira, ao passo que a constante pressão exercida aos jovens contemporâneos tem causado transtornos psicológicos que, não raro, resultam em suicídios. Assim, deve-se analisar o papel social nesse processo, além da importância do amplo debate para resolver a problemática.
Em primeiro lugar, o suicídio deve ser analisado como um fato externo ao indivíduo, e não subjetivo. Nessa perspectiva, em seu livro “O Suicídio”, Émile Durkheim trabalhou a temática relacionando a influência social nos atos suicidas, constatando que vários fatores podem levar a uma pessoa a se matar, sendo eles econômicos, familiares ou sociais. Nessa conjuntura, o crescente índice de suicídios no Brasil que, de acordo com o Ministério da Saúde, aumentou 12% nos últimos anos, está relacionado com o contexto social no qual os jovens estão expostos, tendo-se as constantes pressões acadêmicas e profissionalizantes como um dos pilares para a ocorrência de transtornos psicológicos que, possivelmente, podem provocar sentimentos depressivos que culminam no suicídio.
Paralelo a isso, os transtornos psíquicos ainda são tidos como um tabu por grande parte da sociedade, o que reflete em uma banalização da problemática que dificulta sua prevenção. Isso ocorre, principalmente, pela escassa discussão sobre o assunto nos principais meios formadores de opinião, como as mídias e a escola que, na maioria das vezes, não dão a devida importância aos problemas vivenciados pelos jovens, sendo estes, muitas das vezes, julgados ao invés de receberem ajuda. Dessa forma, enquanto o Estado e a Sociedade não promoverem uma ação conjunta a fim de resolver o problema, os jovens continuarão sofrendo as consequências nocivas dessa situação.
Diante disso, fica claro a necessidade de que haja uma ampla discussão acerca do suicídio, além de que alternativas sejam implementadas a fim de conter o impasse. É fundamental, portanto, que o Ministério da Educação, em parceria com ONGs como a “Centro de Valorização da Vida”, crie projetos de apoio emocional aos estudantes de ensino fundamental, médio e superior, além de debates acadêmicos. Cabe às instituições de ensino implementarem comitês de consultas com psicólogos, a fim de proporcionar aos jovens a oportunidade de conversarem com profissionais qualificados, com o intuito de dar voz aos indivíduos que porventura possam estar sofrendo problemas psicológicos e pressões externas, para que, assim, o contexto ultrarromântico seja definitivamente deixado para trás.