Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/08/2018

“Os homens sofreriam menos se não se concentrasse tanto lembrando de seus males (…)” assim diz o livro Os sofrimentos do jovem Werther. Atualmente, usar o suicídio como forma de se libertar de uma construção social hipócrita e vazia ou como consequência do estágio mais extremo da depressão é algo comum. E a forma na qual a família lida com tal fato também integra o quadro desse problema.

No Brasil, após 15 anos de crescimento, o número de suicídios se estabilizou, contudo, essa é a quarta causa de mortes no planeta entre jovens de 15 a 20 anos, de acordo com a OMS. Uma das principais razões do suicídio é a depressão, sendo essa consequência de diversos problemas sociais.Na era da globalização e tecnologia, uma quantidade absurda de informação, deveres e expectativas é bombardeada para a população, direcionada principalmente para os adolescentes. A hipocrisia se instala na via de retorno, na qual o apoio, diálogo e liberdade de se expressar não chegam com a mesma intensidade para esses indivíduos .Um grande exemplo seria o Japão, sendo altamente desenvolvido tecnologicamente e socialmente, em contrapartida de seus altos índices de doenças mentais simbolizados pela conhecida “floresta dos suicídios”, Aokigahara.

Somado a isso, a incompreensão por parte da família e amigos desestabiliza ainda mais o indivíduo. A depressão muitas não é entendida como doença, mesmo sendo um desequilíbrio químico cerebral. E assim, muitos são taxados com o preconceito e não passam pelo tratamento necessário. A falta de empatia das pessoas é algo realmente preocupante e o que deveria ser um ponto de apoio se torna um agravante. Mas, se sabe que o suicídio não é ocasionado apenas pela depressão. Mesmo sendo uma das principais causas, outros fatores como solidão, problemas de relacionamento, dificuldades financeiras, bullying, abuso de drogas ou perdas afetivas, também levam grande número de jovens ao autocídio. Razões essas que têm como profilaxia o apoio familiar.

Com isso, é necessário medidas que reformulem e esclareçam o suicídio e suas causas, para assim, ações preventivas atingirem os pontos certos. O Ministério da saúde junto ao da educação devem dar ênfase em projetos como o do CVV (Centro de Valorização da Vida) com o número 188, que apresenta voluntários preparados para conversar e ouvir. Esses dois órgãos devem estabelecer tanto campanhas quanto uma reformulação no sistema educacional, na qual, a escola e a família se aproximem e juntas reconheçam possíveis casos de bullying e depressão. A principal arma contra o preconceito é a informação, e essa deve se estabelecer nos veículos midiáticos, sem romantizações e estereótipos, ganhando destaque da forma certa, com seriedade e respeito. Para que assim, a sociedade brasileira aprenda a ajudar esses jovens e integra-los de uma maneira mais saudável.