Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 16/08/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca dos caminhos para prevenir o suicídio entre jovens no Brasil. Segundo Martin Luther King, ativista estadunidense, uma injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar. Nessa lógica, observa-se um distanciamento desse ideal na contemporaneidade, uma vez que o suicídio, um problema de saúde pública, é considerado um tabu social e é negligenciado por uma parcela da sociedade. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias, basta analisar a razão desse comportamento e como atuam os estímulos sociais.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que, no Brasil, o suicídio é a quarta maior causa de óbito entre jovens de 15 a 29 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Isso ocorre, sobretudo, em razão de acontecimentos que funcionam como estopins para o autoextermínio, como abusos, falecimento de um parente e problemas financeiros. Dessa forma, o indivíduo que já encontra-se em situação de tristeza, ao passar por uma situação devastadora, comete suicídio com o intuito de erradicar a dor. Para ilustrar, a taxa de suicídio entre jovens aumentou 10% desde 2002, segundo dados do Mapa da Violência. Assim, nota-se conformidade com o pressuposto de Émile Durkheim, o qual diz que o suicídio é um fato social,posto que o meio coletivo pode evitar ou estimular a ocorrência.
Em seguida, é fundamental pontuar que, existem gatilhos externos que podem influenciar uma pessoa, em condição vulnerável, a cometer suicídio. Vale salientar que, frequentemente, isso advém da glamourização e da romantização do ato de atentar contra a própria vida. Com isso, relatos ou representações dessa ação podem desencadear processos emocionais complexos em adolescentes. Para corroborar, é útil o caso que ocorreu em 2017, em que um peruano de 23 anos deixou gravações supostamente inspiradas pela série 13 reasons why, da Netflix, antes de se suicidar. Isto posto, percebe-se a importância de seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde, ao retratar esses eventos na mídia, dado que podem surtir o efeito adverso ao conjecturado.
Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram com o atual quadro negativo do país. O Ministério da Saúde, deve realizar campanhas sociais e palestras públicas com profissionais da área de saúde mental, a respeito dos principais sintomas, dos mitos e como prestar auxílio, além de oferecer cursos gratuitos de prevenção e identificação dos sinais do suicídio à professores do ensino básico e acadêmico, com o objetivo de viabilizar o reconhecimento dos indícios e possibilitar a ajuda. É imprescindível, também, que o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, recomende a suspensão da exibição de conteúdos, na mídia televisiva ou online, que retratem indevidamente o suicídio e podem motivar o ato, com o propósito de evitar eventos de autoaniquilação no Brasil.