Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/08/2018
A prevenção do suicídio entre jovens na contemporaneidade
Observa-se que desde a transição do século XX para o século XXI, o modo de vida da população adquiriu novos contornos. O uso contínuo da tecnologia, por exemplo, dimensionou a comunicação e delineou novos formatos de relacionamentos. Contudo, deve-se destacar, que tais melhorias, também impactaram negativamente a psique humana, o aumento do suicídio entre jovens no Brasil, desde 1980 é um indicativo disso. Nesse sentido, é fundamental a atuação da sociedade, da família e do Estado no combate aos efeitos colaterais do modo de vida na contemporaneidade.
Para o sociólogo Zygmunt Bauman, as novas formas de vida contemporânea são fluidas e frágeis. Por essa óptica, pode-se considerar que os sujeitos estão cada vez mais envolvidos em relações fugazes. Na prática, a popularidade das mídias sociais e o consumo exagerado de jogos eletrônicos, comum entre os jovens brasileiros, favorecem o isolamento, que por sua vez, aumentam as chances de doenças psicossomáticas. Nesse sentido, a prevenção do suicídio deve ir além das estratégias que desencorajem o ato suicida, é necessário atuar nas causas que desencadeiam esse processo. Dessa forma, assim como é recomendável que a população faça acompanhamento médico e odontológico para o bem estar do corpo, deve-se incentivar a procura por psicólogos, independem da condição em que os sujeitos se encontram.
Por outro lado, é importante ponderar que o Sistema Único de Saúde é deficiente no que tange à saúde mental. Há uma distribuição desigual de psicólogos no Brasil, a concentração desses profissionais é maior no sul e sudeste do país. Além disso, não há uma política que proporcione a assistência psicológica a todos os cidadãos, sendo realizado apenas atendimentos de casos em que há o diagnóstico de doença mental. Outro agravante está relacionado à maneira como a sociedade e a família encaram o suicídio e como lidam com as mazelas psicológicas. Não é incomum pessoas diminuírem ou amenizarem o sofrimento emocional de jovens, tornando-os ainda mais vulneráveis.
Levando-se em conta os aspectos expostos, é de suma importância que o governo federal, juntamente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, invistam em pesquisas a fim de investigar melhor os males psicossociais da atualidade. É necessário também, que o Ministério da Saúde desenvolva políticas que amplie o atendimento psicológico para toda a população e por fim, a sociedade e a família devem se articular, de modo que, garantam o acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade psicológica, além de modificar sua respectivas ideias acerca do sofrimento psicológico.