Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 20/08/2018
“Hoje saio da vida para entrar na história”, escreveu Getúlio Vargas em sua última carta. Ainda que fosse um presidente adorado pelas massas, o anseio de deixar a vida não ausentou-lhe, culminando em um ato de suicídio que marcou a história do Brasil. Não obstante, sua atitude desesperada é um retrato fiel da hodiernidade brasileira, uma vez que, no país, anualmente, cerca de 11 mil jovens tiram a própria vida, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse dado alarmante revela uma problemática que urge soluções.
Vale ressaltar que, o suicídio é um imbróglio presente em toda a história da humanidade. Um exorbitante número de indígenas, no século XVI, optava por colocar fim à vida do que submeter-se ao cruel tratamento dos espanhóis. Ademais, na modernidade, quando a escravidão era ascendente, os casos de suicídio eram afluentes e constantes, impulsionados pelos maus tratos e péssima qualidade de vida à seres humanos que eram enxergados como objetos pela sociedade da época. Em síntese, observa-se a presença do tema em diferentes contextos, todavia, partilhando em comum um mesmo viés: a fuga da realidade. Essa conduta, relaciona-se, de maneira análoga, à fatores sociais - em famílias desestruturadas, o suicídio torna-se súpero, haja vista a despreocupação familiar com àquele que possui alguma psicopatologia. Caracterizando, dessa maneira, um escasso apoio parental no que tange à prevenção do ato.
Outrossim, existe um ideário popular vinculado a religião que, não age em âmbitos humanitários buscando precaver a ocorrência destes, contudo, condenando-os. Essas atitudes corroboram para que os debates acerca da temática permaneçam em exiguidade e, o assunto seja visto com preconceito pelos olhos populares. Em contrapartida, o advento da internet permitiu às pessoas exporem seus sentimentos livremente e, por conseguinte, serem sobreavisadas sobre o porquê de não cometer suicídio. Entretanto, sem campanhas publicitárias necessárias, os jovens do século XXI - cada vez mais deprimidos - sentem-se deslocados e sem proteção, culminando em tentativas de fim à vida.
Diante dos fatos supracitados, torna-se evidente, portanto, a urgência de transformar esse cenário vigente na contemporaneidade. Em primeiro lugar, cabe ao sistema de ensino, uma reformulação que permita a adição de matérias e palestras na grade curricular - do infantil ao médio - que abordem essa temática. Uma vez que existam palestras abordando o assunto, dúvidas serão respondidas e o amparo escolar tangente a isso será efetivado. Além disso, cabe a mídia, atrelada ao sindicatos estatais, providenciar palestras que mais se adequem à realidade regional. Ainda que Nietzsche acreditasse que o suicídio é uma maneira de confortar-se, é tácito que o mesmo nunca deve ser considerado.