Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 30/08/2018
A obra literária alemã de Johann Goethe, publicada em 1774, “Os sofrimentos do jovem Werther”, relata como o protagonista Werther encontrou no suicídio uma forma de livrar-se de seu sofrimento. Essa obra teve um grande impacto, em razão da representatividade sentida, principalmente, pelo público jovem da época, que viram a morte uma forma de libertação, gerando uma onda de suicídios. Entretanto, já no século XXI, esse pensamento tem se tornado cada vez mais presente, devido às relações líquidas da sociedade moderna e a banalização do assunto, evidenciando como essa situação é negligenciada.
Primeiramente, é preciso ressaltar como o estilo de vida moderno induz muitos indivíduos a optarem por essa alternativa, visto que há uma imposição da felicidade, na qual sentimentos como a tristeza, devem ser reprimidos. Por conseguinte, falar sobre a auto-violência torna-se algo desonroso, visto que a sociedade mostra- se desinteressada em debater sobre o assunto, o que contribui para que o jovem evite buscar por ajuda. Desse modo, o individuo encontra no suicídio a única solução para aliviar seu sofrimento, fato, esse, que tem colaborado para o aumento de casos, o que, de acordo, com o Ministério da Saúde teve uma ala de 73% entre 2000 e 2016.
Ademais, o comportamento das principais instituições sociais, como as escolas e as famílias, demonstra uma banalização do assunto, uma vez que ainda há um temor de que a divulgação midiática sobre o tema ocasione um novo “Efeito Werther”, ou seja, desencadeie reações de auto-violência. Do mesmo modo, a falta de uma assistência profissional dentro das instituições educacionais para oferecer suporte psicológico e tratar patologias que podem levar o sujeito a cometer o ato, como a depressão e ansiedade, evidencia o desprezo de parte do papel de formação dos jovens. Realidade essa, que, segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde - caso fosse contrária evitaria cerca de 90% dos casos de suicídio.
Portanto, torna-se evidente a necessidade da adoção de medidas para alterar esse cenário. Dessa maneira, é papel da mídia promover a não vulgarização do suicídio, por meio de programas e reportagens, que demonstrem a seriedade do problema, a fim de reduzir os estereótipos e permitir o debate sobre o tema, para que os jovens sejam estimulados a procurarem por ajuda médica e familiar. Além disso, as instituições educacionais, junto ao Ministério da Saúde, devem trabalhar para reduzir as taxas de suicídio da adolescência, promovendo campanhas de prevenção e contratando profissionais especializados, com o objetivo de oferecer suporte e tratamento adequados, possibilitando a reintegração psicológica do jovem.