Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 23/08/2018
Novos Romeos e Julietas
Na obra literária Inglesa “Romeo and Juliet”, de William Shakespeare, os protagonistas Romeo e Julieta encontram no suicídio uma forma de se libertarem das dores de um amor proibido pelas famílias de ambos. Na “ modernidade líquida”, o fim da vida de jovens, homens ou mulheres não está distante da história do casal shakespeariano, pois o número de indivíduos que passam ver a morte como uma forma de libertação avança silenciosamente, evidenciando a urgência de alteração deste cenário preocupante.
Tomando como norte a percepção do sociólogo Eduardo Galeano de que para modificar a realidade é preciso conhecê-la, é preocupante o crescente número de pessoas que têm cometido o suicídio no Brasil. Essa ideia pode ser claramente ilustrada pela UNICEF a qual aponta que entre 2000-2017 os números de suicídios no Brasil triplicaram. Além disso, essa é a quarta maior causa de morte entre jovens de 15 e 29 anos no país. Dessa forma, infere-se que esses crescentes índices de gentes que põem fim em suas próprias vidas simbolizam uma pedra no caminho à efetivação da plena cidadania. Partindo desse pressuposto, pode-se afirmar que o suicídio é, por vezes, uma consequência de um quadro depressivo dos jovens. Evidentemente, essa “ chaga social” no Brasil é desencadeada, na maioria das vezes, pelos constantes casos de bullying sofrido pelos jovens da nação. Assimilando essas vertentes, há estudos nacionais e internacionais mostrando que pessoas vítimas de bullying são mais suscetíveis a desenvolver o quadro. Outrossim, o problema precisa ser encarado como uma doença que urge de tratamento podendo, assim, normalizar alterações cerebrais associadas à depressão.
Percebe-se, portanto, que uma abordagem holística é condição “sine qua non” a uma ação em prol do bem coletivo. Para isso, três serão os protagonistas. O Estado, mediante o seu poder abarcativo, por meio do Ministério da Saúde, precisa empenhar-se em desenvolver um plano nacional de prevenção ao suicídio com a criação de centros de apoio com profissionais de saúde (como psiquiatras) estabelecendo uma conversa com o indivíduo identificando sinais que esse possa cometer um suicídio e, caso necessite, a prescrição de antidepressivos. Além disso, a família deve ficar mais atenta às ações exercidas pelo próprio filho e ouvi-lo sobre insatisfações e lamentos caso ele estiver sofrendo bullying. À mídia, por fim, cabe usufruir de seu poder persuasivo para campanhas de valorização à vida e o incentivo à procura de auxílio. Dessa forma, podemos ver uma nova história dos Romeos e Julietas da geração hodierna, longe da realidade shakespeariana.