Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 26/08/2018

Um dos grandes presentes da “Era da Informação” foi a desconstrução de antigos valores sociais e também a discussão e visibilidade para questões que antes eram consideradas tabus, como a depressão e o suicídio. No entanto, apesar deste tema ter se tornado pauta para séries televisivas, como “Os 13 Porquês”, e das campanhas de conscientização, como o Setembro Amarelo, uma reportagem da revista digital Galileu apresentou uma pesquisa que informa o aumento de 12% na taxa de suicídios no país, de forma a expressar que ainda há muito a ser discutido sobre o assunto.

De acordo com essa pesquisa, realizada pelo SIM do Ministério da Saúde, o suicídio é a quarta maior causa de morte entre jovens no país e ocorre principalmente entre homens, numa proporção de 79% dos casos registrados. Visto isso, é possível concluir que as concepções sexistas do corpo social não são nocivas somente às mulheres, como também para os homens, uma vez que esses princípios criam e sustentam uma atmosfera onde eles, desde a infância, são desencorajados a compartilhar seus sentimentos e demonstrar fragilidade, por meio de frases que associam esse tipo de comportamento à degradação moral, como por exemplo: “homem não chora”.

Além disso, essa corrente ideológica afeta também todos os homens que não atendem ao estereótipo de virilidade tóxica que é imposta socialmente. Sendo assim, os homossexuais também são vítimas dessa desmoralização social que, muitas vezes, acarreta ao suicídio. Como consequência de filosofias e instituições que condenem a homossexualidade, como a religião cristã, esse grupo enfrenta constantemente forte violência social e opressão familiar. Dessa forma, o ambiente hostil gerado para eles se torna um gatilho para o suicídio, assim como é exposto no filme “Orações para Bobby”, o qual relata a história de Bobby, um adolescente que se matou após assumir-se homossexual para a mãe e a mesma utilizar de recursos religiosos para tentar “consertar” seu filho.

Tendo em vista os argumentos apresentados, faz-se necessário que o Ministério da Educação e da Saúde incluam no programa educacional das escolas aulas sobre conscientização emocional, a fim de desconstruir concepções sociais que desmoralizem o indivíduo ao expor e trabalhar seus sentimentos com pessoas próximas. Ademais, cabe às páginas de militância nas redes sociais, como Quebrando o Tabu, promover conteúdos que abordem a questão de como os conceitos sexistas são prejudiciais à saúde mental de homens e mulheres, de forma a incentivar ações cotidianas que rompam com essa corrente. Dessa forma, será possível conscientizar a população sobre esse assunto e também abordá-lo de forma respeitosa, de forma a estimular o diálogo entre amigos e familiares a cerca disso e evitar que os jovens brasileiros deixem de ser pessoas para se tornarem estatísticas.