Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/08/2018
Embora apresentada em 428 a.C., a tragédia grega Hipólito, de Eurípides, por meio da personagem Fedra, mulher apaixonada, já abordava uma das maiores causas atuais de morte dos jovens de até os 19 anos no Brasil: o suicídio. A falta de um lugar na qual o adolescente possa se definir e se reconhecer como sujeito, tanto na família como na sociedade, revela um sério problema de saúde pública, pois se configura um assassinato em que a vítima e o agressor são a mesma pessoa. Por trás do comportamento suicida, há uma combinação de fatores socioculturais que, embaralhados, culminam numa manifestação exacerbada contra si mesmo.
Segundo o Departamento de Saúde Mental e Medicina Legal da UFG, a família representa uma condição necessária para o crescimento e desenvolvimento de vínculos que garantem a sobrevivência física, social e afetiva das pessoas. Contundo, o contexto familiar é considerado fato desencadeante para a tentativa de suicídio. Perdas de vínculos afetivos, violência doméstica ou doenças mentais e físicas colocam o adolescente em situação de vulnerabilidade. O jovem tende a ser imaturo e inseguro ao se deparar com novas visões da família e da sociedade, visto que é neste período que ocorre a criação da razão existencial.
Além disso, a escola pode se tornar um cenário favorável no que se refere ao comportamento suicida. O bullying, problema mundial e universal nas escolas, está por trás de muitas tentativas de suicídio entre os jovens. Conforme a Psicologia do Desenvolvimento, o jovem é influenciado facilmente pelas opiniões alheias e, na tentativa de pertencer ao grupo, passa a agir de forma inconstante. No estágio em que se adquire uma identidade psicossocial, se não forem resolvidas corretamente os dramas interiores, o indivíduo dará lugar a pensamentos de raiva, ódio a si próprio e até o ato final: o suicídio.
Portanto, o suicídio entre os jovens é um problema de saúde pública que envolvem diferentes profissionais e grupos sociais. Para diminuir tal situação, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deverão estabelecer programas que permitam a prevenção nas escolas. Esses programas deverão incentivar o dialogo entre os alunos com os psicólogos. Além disso, é necessário que haja palestras e cursos sobre o assunto para os pais, para que eles possam identificar fatores de risco e comportamentos que demonstrem depressão e tentativa de suicídio. Dessa forma, será possível diminuir este problema que se perpetuou desde os tempos antigos da civilização.