Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 28/08/2018

Na célebre obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, do escritor Johann Goethe, relata a dor de Werther, o qual não teve seu amor correspondido e, com isso, para se livrar dessa tristeza, recorreu ao suicídio. De maneira análoga à situação hodierna, percebe-se que tal obra não se distancia da realidade brasileira, visto que o suicídio entre os jovens no Brasil ainda é um percalço a ser solucionado. Desse modo, fatores que corroboram para esse cenário devem ser revistos, dentre eles, a inconstância da sociedade que omite nas discussões desse assunto.

Em primeira análise, cabe pontuar que as práticas de bullying durante o crescimento da criança é um dos casos contundentes para a disseminação dos índices de suicídio. Isso porque, no âmbito escolar, muitas vezes, os alunos não possuem as características de um determinado grupo, sendo classificados pelo grupo como diferente, o que faz os demais acharem que ser diferença é uma patologia contagiosa, contribuindo para a segregação daqueles que não se enquadram aos padrões dos grupos. Sob esse viés, o sociólogo Émile Durkheim, afirma que o suicídio egoísta decorre da exclusão dos indivíduos no meio social. Assim, é indubitável que as práticas dessa barbárie são cruciais para a propagação dessa anomia.

Além disso, falar sobre suicídio ainda é considerado um tabu nas famílias. Isso porque a influência religiosa e o senso comum que circundam a sociedade infere no desencadeamento dos diálogos entre os familiares. Tal negligência da família, paralela ao individualismo, que segundo o autor Zygmunt Bauman, em sua teoria modernidade líquida, os indivíduos esquecem dos seus valores para se favorecem, contribui intrinsecamente para os casos de suicídios. Isso se explica consoante aos dados oficiais divulgados pela BBC, que mais de 3 mil suicídios são registrados por ano entre jovens.

Diante ao exposto, é notório que ainda há entraves que concerne ao combate dos casos de suicídios entre jovens no Brasil. Infere-se, portanto, ao Estado, junto ao Ministério da Educação, desenvolver oficinas nas escolas, visando a teoria, a prática e a reflexão, abordando assuntos sobre o suicídio. Essa medida pode ser feita por meio de palestrante e psicopedagogos, que serão responsáveis por apresentarem aos demais alunos relatos de familiares que perderam filhos por causa do suicídio, a fim de causar a emoção entre os alunos e amenizar o individualismo. Ademais, cabe às famílias, com apoio de agentes de saúde da Unidade de Saúde da Família (USF), incentivar os pais e os filhos a conversarem sobre a depressão, como um transtorno que tem cura. Isso pode ser feito a partir de cartilhas e apoio de psicólogos da USF, divulgando assuntos e mitos que tangenciam esse problema. Dessa forma, poder-se-á atenuar o número de suicídio e ir de encontro à realidade do jovem Werther.