Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 04/09/2018

No livro “O sofrimento do jovem Werther”, no qual o personagem principal se mata por um amor platônico, demonstra o suicídio como uma ferramenta para fuga da realidade e resolução de problemas. Nessa perspectiva, essa prática persiste como uma solução para os indivíduos que sofrem traumas e situações de dificuldades. Isso se deve, sobretudo, à negligência estatal na promoção do bem-estar dos indivíduos, bem como a má´formação do senso crítico entre as famílias. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o Estado e as instituições formadoras de opinião,. com o escopo de superar tal problemática entre os jovens no País.

De fato, é indubitável que a questão estatal e sua aplicação contribuam para potencializar esse problema. Nesse viés, conforme Aristóteles, o exercício político tem como objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Sob esse prisma, denota-se a precariedade na formação de profissionais em urgências psiquiátricas e suicidologia, além da falta de especialistas nesta área nas instituições de ensino. À vista disso, a escassez de unidades de saúde, direcionadas aos jovens com transtornos psicológicos, aliada à ausência de diálogos sobre tal temática no campo educacional, contribui para continuidade desse ato e dificulta a reversão dessa realidade. Nesse ínterim, percebe-se que o descaso do governo em relação ao suporte psicológico nas vastas áreas do País compromete o equilíbrio social defendido pela teoria aristotélica.

Outrossim, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a presença da modernidade líquida se dá a partir da fluidez nas relações sociais do cotidiano. Segundo essa premissa, ressalta-se que a existência massiva de famílias desorganizadas está sensivelmente ligada aos relacionamentos voláteis e a instabilidade afetiva. Nessa perspectiva, infere-se que o autocídio na juventude é fomentado por indivíduos fragilizados emocionalmente, em decorrência, mormente, dos atos de preconceito e intolerância as diferenças. Essa situação possibilita-se por insuficientes diálogos nos ambientes familiares, os quais, geralmente, consideram desnecessárias as discussões sobre o tema em voga.

Urge, portanto, que, diante da realidade nefasta do suicídio entre o público jovem, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para tanto, cabe ao Estado, em sinergia com o Ministério da Saúde, elaborar projetos sociais, por meio de emendas constitucionais, os quais invistam na formação em emergências psiquiátricas e suicidologia, além da implantação de especialistas nas escolas e nos hospitais, com o fito de garantir o debate e a prevenção de tal prática. Ademais, compete a escola em conjunto com a família, realizar conferências educativas sobre o assunto, por meio de mesas redondas, no intuito de promover a sensibilização familiar. Destarte, tal mazela será gradativamente minimizada.