Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/10/2019

Ao longo da história humana, a razão foi privilegiada em relação às emoções. A Antiguidade e a Idade Moderna- marcadas pelo surgimento da Filosofia e pelo Iluminismo, respectivamente- tiveram protagonismo na afirmação da racionalidade como forma de lidar com os problemas. Dessa maneira, o lado emocional foi marginalizado. Com isso, os indivíduos, na maioria das vezes, não sabem lidar com os próprios sentimentos. Essa realidade corrobora para o agravamento dos transtornos mentais, que podem chegar ao extremo: o suicídio. No Brasil, a sociedade pós-moderna e o ambiente estudantil agravam a saúde mental do jovem tupiniquim.

Primeiramente, precisa-se analisar o contexto contemporâneo. O cenário pós-moderno, de acordo com Zygmunt Bauman, é marcado pela liquidez, que se expressa na incerteza de valores e na falta de relações reais. Desse modo, a adolescência - período marcado pelas mudanças- fica ainda mais conturbada, pois falta uma norma social fixa para guiar o jovem, e também falta o apoio humano, dado que relacionamentos rasos não permitem um real suporte emocional. A transição da infância para vida adulta, então, é muito traumática na atualidade, fato que prejudica a formação do indivíduo e sua saúde mental.

Associado a isso, há a negligência das escolas e universidades acerca do estado emocional dos estudantes. O sistema educacional brasileiro, para Paulo Freire, é bancário, ou seja, não há formação crítica ou debate sobre problemas da sociedade, apenas deposição de conhecimento teórico. Como consequência, não ocorre o diálogo a respeito da saúde mental e do suicídio- que aumentou, segundo  o Mapa da Violência, em 10% na última década. Dessa maneira, o ambiente estudantil- local que a maioria dos jovens mais frequenta- não promove o amparo àqueles que necessitam, nem oferece meios que os alunos ajudem uns aos outros.

Fica evidente, portanto, que o panorama social e a realidade estudantil criam obstáculos para prevenção do suicídio. Para mudar essa situação, medidas são necessárias. O Mistério da Saúde, em parceria com o terceiro setor, pode, por meio de documentários, conscientizar a população brasileira sobre a necessidade de auxiliar o jovem no processo de amadurecimento para, assim, formar uma rede de apoio emocional. Além disso, o Mistério da Educação, junto das escolas e universidades, deve promover a formação de professores fundamentada nos conceitos de inteligência emocional a fim de que os estudantes sejam ensinados a compreender suas emoções e também tenham um espaço para falar sobre possíveis problemas e angústias. Dessa maneira, o Brasil terá formas de reduzir as taxas de suicídio.