Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 27/09/2018
Efeito Werther
No século XVIII houve uma grande onda de suicídios entre os jovens, essencialmente da Europa, motivada pela leitura de “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, obra do escritor Goethe. Na época, a banalização da morte retratada no livro começou a ser valorizada por jovens que se identificavam com o personagem principal. Na pós-modernidade, os índices de suicídio aumentam consideravelmente, devido, principalmente, a falta de prevenção relacionada com a problemática, bem como a angústia do jovem brasileiro.
Em primeiro plano, cabe salientar que uma das principais causas do constante aumento no número de suicídios entre os jovens é a escassez de medidas preventivas para tal ação. Nessa perspectiva, é sabido da existência de precursores desse comportamento extremo, como transtornos mentais que, no entanto, não recebem a devida atenção e tratamento. Ou seja, a falta de estratégias ( como a atuação de psicólogos nas redes de ensino) por parte dos órgãos responsáveis para prevenir o comportamento suicida nos jovens, resulta diretamente no ampliamento da problemática.
Em uma análise mais aprofundada, nota-se que a angústia sofrida pelos jovens é outra motivação para que eles pensem em tirar suas próprias vidas. Nesse contexto, de acordo com as ideias de Guilles Lipovetsky, a sociedade atual banaliza o isolamento do ser no corpo social e ainda valoriza o ser individual. Seguindo essa linha de raciocínio, a individualidade pós-moderna incentiva os jovens a serem competitivos, e estes, após sofrerem frustrações ao não conseguirem alcançar seus objetivos, criam dilemas pessoais e se angustiam, o que para eles só será resolvido através do suicídio.
Torna-se evidente, portanto, que a problemática persiste devido a fatores inerentes a esfera social e individual. Urge, assim, a necessidade da adoção de medidas que amenizem o problema. Para isso, é imprescindível que o Governo Federal, em conjunto com o Ministério da Saúde, elabore medidas preventivas, como o acompanhamento eficaz de jovens que demonstram características precursoras do suicídio, e reforcem métodos como o CVV, por meio de políticas públicas, para diminuir os índices referentes à temática. Além disso, faz-se necessário que o Ministério da Educação, por meio da educação básica, ensine os alunos a lidar com situações de competitividade e individualismo, evitando futuras frustrações, bem como garantindo que o Efeito Werther, ocorrido no século XVIII, não volte a acontecer.