Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 28/09/2018
Na obra “Os sofrimentos do jovem Werther”, Goethe, literata alemão, retrata o suicídio de um jovem, fato que chamou atenção e comoveu a sociedade da época. Muito além da ficção, a realidade dos jovens brasileiros vem apresentando um crescimento alarmante dos números de suicídio nessa faixa etária. Essa problemática possui escopo social e ressalta a importância do debate acerca dos caminhos para a prevenção. Em primeira análise, é inegável que o suicídio tem se tornado um problema crescente entre os jovens brasileiros. Nesse sentido, dados estatísticos apontam um crescimento de mais de 20% entre incidentes envolvendo indivíduos de 10 a 19 anos na última década, o que coloca o Brasil como oitavo país do mundo em número de suicídios, segundo relatório da OMS. Dessa forma, alguns especialistas já se referem a uma “epidemia silenciosa”, uma vez que esses dados são pouco debatidos na sociedade.
Ademais, o enfrentamento dessa conjuntura perpassa pelo seu reconhecimento enquanto objeto de saúde pública. Nesse diapasão, Emile Durkheim, na obra “O suicídio”, assevera que trata-se de um fenômeno social, estando intrinsecamente ligado às relações coletivas estabelecidas pelo indivíduo. Assim, o diálogo e o debate sobre o tema são pressupostos na busca pela prevenção.
Logo, medidas assertivas são necessárias para alterar esse cenário. Diante disso, urge que o Estado, em uma ação conjunta do Ministério da Educação e da Saúde, promova cursos e oficinas em escolas de ensino básico e nas universidades, estimulando o diálogo sobre a temática. Por outro lado, as prefeituras poderiam destinar recursos para a contratação de psicólogos e psicopedagogos voltados para o acompanhamento direto dos alunos. Dessa maneira, a prevenção tornar-se-á a realidade entre os índices de suicídio dos jovens brasileiros, ao contrário do final trágico narrado por Goethe.