Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/09/2018

Sentimento de fragilidade, impotência, falta de ajuda. Esses são os mais corriqueiros e silenciosos sintomas que alicerçam os pensamentos motivadores do suicídio, mal que teve seus primeiros registros na dramaturgia grega no século V a.C. em Hipólito de Eurípedes, narrativa carregada de angústia e suicídio de uma personagem. Importa encontrar uma linha tênue, capaz de ajudar os acometidos com o devido cuidado para não encorajá-los ao pior caminho.

A princípio, é fundamental compreender o referido mal como enraizado na sociedade. Apesar de quase meio milênio de antecedência do ícone de Cristianismo, a narrativa de Eurípedes retrata cenários comuns à contemporaneidade, na qual uma série de frustrações e sofrimentos causam efeito cumulativo e, ao se ver com tantos problemas ligados à vida e sem perspectiva de ascensão, a pessoa só encontra o fim da existência como fuga do sofrimento. Partindo do ponto de que problemas arraigados necessitam de mais atenção, é possível concluir que o entendimento social acerca do tema precisa ser difundido com urgência.

Jungindo-se à realidade supramencionada, é preciso compreender que a delicadeza ao se tratar do problema. Falar abertamente do tema, embora pareça positivo, requer alguns cuidados, tais quais evitar mencionar nomes de famosos que tiveram tal atitude, evitar descrever o modo que a pessoa se matou e o que a motivou. Para corroborar com esse fato, a revista Época teve uma edição em julho de 2017 na qual trouxe a estatística de que após o lançamento da série 13 reasons why (13 motivos, em tradução livre) os casos de suicídio por adolescentes cresceram 19% em média mundial. Desse modo, é possível perceber que a solução deve vir por acolhimento e compreensão, como profilaxia, não simplesmente abertura do tema e divulgação de casos.

Fica evidente, dessa forma, que o suicídio é um problema silencioso e requer certas ressalvas para ser tratado, portanto é necessário que o Estado, como garantidor da saúde e bem comum, através do Ministério da Saúde, faça parcerias com redes televisivas a fim de propagarem mais histórias de superação e conquistas após fases psicologicamente muito difíceis, com intenção de estimular os suicidas em potencial a perceberem suas capacidades. O Ministério da Educação poderia ser compartícipe e estimular a compreensão familiar por meio de palestras e reuniões escolares, quiçá conseguindo parcerias com empresas para facilitar a ida dos pais à escola nessas reuniões em horário de trabalho. Apenas assim, disseminar-se-ão, raízes de uma sociedade psicologicamente mais saudável.