Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/10/2018
A obra “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe, na qual o protagonista vê no ato de se tirar a própria vida a única forma de se livrar das dores de um amor impossível, resultou no chamado Efeito Werther, uma onda de suicídios ocorrida na Europa após a publicação do livro. É evidente, dessa forma, que a alarmante questão do suicídio está presente em todo o curso da história humana e sua prevenção encontra vários empecilhos, na medida em que o individualismo e a falta de conscientização são presentes na sociedade hodierna.
Notoriamente, o exacerbado individualismo é um dos principais empecilhos na questão do suicídio. De acordo com Durkheim, quanto maior o grau de solidariedade social, menor é a probabilidade de suicídios ocorrerem. Entretanto, como evidenciado pelo filósofo Zigmunt Bauman, o individualismo tornou-se característica marcante da sociedade contemporânea. Sendo assim, segundo Durkheim, pelo fato de a solidariedade social estar cada vez menor, a taxa de suicídios cresce, como evidenciado por dados do Ministério da Saúde que apontam aumento de aproximadamente 10% na taxa de suicídios nos últimos anos.
Ademais, a não conscientização acerca do assunto também contribui para a perpetuação do problema. Isso decorre do fato da discussão sobre suicídio e suas causas não estar amplamente presente no espaço escolar e familiar. Por exemplo, o setembro amarelo, mês da campanha de prevenção ao suicídio, não é divulgado de forma abundante, o que dificulta a incitação de debates sobre o tema. Além disso, as poucas tentativas de representação do problema em filmes e séries, são, majoritariamente, danosas, seja pela romantização do suicídio, seja pela sua representação de forma extremamente gráfica, como é observado na série 13 Reasons Why. Por consequência da falta de debate e da exposição errônea pela mídia, jovens que demonstram indícios de que irão se suicidar, não são notados pelo seu núcleo familiar nem escolar.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da prevenção dos autocídios no Brasil deve ser revisada. Em razão disso, o Ministério da Educação, sobretudo no setembro amarelo, deve estimular que os pedagogos tragam a questão do suicídio para as salas de aula por meio do estimulo à reflexão e a debates construtivos, para que haja a fomentação de empatia nos alunos e prevenção da banalização do assunto. Outrossim, é igualmente imprescindível a atuação da família, instituição social de suma importância, na não abstenção do assunto entre os membros familiares, por meio da atenção redobrada no comportamento dos filhos. Para que, assim, o destino dos jovens brasileiros seja diferente do personagem de Goethe, Werther, que tirou sua própria vida.