Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 03/10/2018
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 75% dos casos de suicídio no mundo acontece nos países mais pobres e emergentes. Em números absolutos, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking de países latino americanos com mortes por suicídio. A questão, portanto, é vista como um caso de saúde pública. Nesse sentido, depreende-se que a popularização da informação acerca dos fatores de risco que podem culminar no ato, como a depressão, bullying, baixa autoestima e pressão por alto desempenho são essenciais para que ocorra a sua prevenção.
Em primeiro lugar, com o intuito de se prevenir os casos de suicídio entre os jovens brasileiros, é necessário a compreensão acerca do contexto em que eles se inserem. A juventude brasileira vive no submundo da internet e lida diariamente com fatos, fotos, vídeos, músicas e até mesmo seriados que tratam sobre o tema, o que pode ser um gatilho para aqueles que já possuem pensamentos suicidas. A constatação de que informações ficcionais e não ficcionais podem influenciar o ato se denomina “Efeito Werther”, consequência da onda de suicídios entre jovens que se deram após a leitura do livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe, em que o protagonista se suicida. Entende-se, assim, que medidas que esclareçam a forma como o assunto deve ser tratado pela comunicação são vitais.
Em segundo lugar, o filósofo francês Gilles Lipovetsky, ao tratar sobre o hiperindividualismo da era pós-moderna, diz que esse se manifesta quando o sujeito se exclui das instituições de coletividade, como a religião, a política e a comunidade. Dessa maneira, os deuses se tornam os próprios homens e toda a ansiedade culmina no consumismo exacerbado, ou seja, na coisificação do homem. De maneira consonante a essa teoria, o sociólogo Emillé Durkheim, um dos maiores teóricos sobre o suicídio, afirmava que quanto menores os laços dos indivíduos com a sociedade, maiores são as taxas de suicídio nesta. Em síntese, a carência de alteridade e empatia no mundo hiperindividual, influenciam diretamente a ocorrência de casos de suicídio.
Tendo em vista esses fatores, infere-se, portanto que é de suma importância medidas preventivas, como o aumento da fiscalização de sites que incentivam à prática suicida pelos familiares que já sabem da tendência que o parente possui ao ato e respectivamente a divulgação de fóruns virtuais que tratam do assunto de maneira preventiva, para que potenciais suicidas possam perceber que a dor que sentem possui soluções alternativas à morte. Ademais, a propagação constante nas redes sociais incentivadas pelo próprio Ministério da Saúde sobre os Centros de Atenção Psicosocial (Caps) e o Centro de Valorização à Vida (CVV) poderão oferecer um atendimento profissional e imediato a esses jovens. Destarte, poder-se-á mitigar os casos de atentado a própria vida na juventude brasileira.