Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/10/2018

Na obra “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, Goethe aborda uma difícil questão: o suicídio entre jovens. Atualmente, o Brasil apresenta, segundo dados do “Mapa da Violência”, um crescimento contínuo de autocídios nessa parcela da população, o que revela um grave problema social. Dessa forma, compreender as causas dessa problemática e capacitar a sociedade para seu enfrentamento são aspectos centrais na prevenção desse mal.

Inicialmente, é necessário estabelecer os fatores que motivam a preponderância do autoextermínio entre os jovens, no intuito de abordar eficazmente a temática. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, em seu texto “O Suicídio”, o conceito de anomia, referente à crise de normas e instituições sociais, caracteriza um elemento essencial na ocorrência do suicídio em sociedades modernas. Hodiernamente, a situação de vulnerabilidade social de milhares de jovens brasileiros, que são as principais vítimas da violência, do desemprego e do abandono familiar, com o número expressivo de autocídios nesse grupo. Assim, fica clara a necessidade de se maximizar esforços para combater esse problema dentro dessa parcela da população.

Ademais, possibilitar a participação da população é uma estratégia fundamental na prevenção do autocídio entre os jovens. Para tal feito, no entanto, deve-se combater concepções equivocadas do assunto, que prejudicam sua discussão. Um exemplo é a obra anteriormente citada de Goethe que, no século XVIII, foi responsabilizada por uma onda de suicídios na Europa. Fatos como este trouxeram ao senso comum a ideia de que não se deve abordar o tema, no risco de levar indivíduos a praticar tal ato. Combater essa ideia é importante, pois o diálogo constitui uma ferramenta fundamental para auxiliar os indivíduos que contemplam a opção do suicídio, possibilitando direcionamento da pessoa para ajuda especializada.

Portanto, é necessário que ações sejam tomadas para expandir a abordagem do tema e para derrubar paradigmas errôneos. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação, juntamente com o Conselho Nacional de Psicologia, estabeleça palestras em escolas, empresas e repartições públicas, com o apoio de especialistas da área, para promover conhecimento sobre características e atitudes que indicam o risco de autocídio e capacitar o indivíduo para realizar uma abordagem e indicar ajuda profissional. Dessa forma, pode-se reduzir a ocorrência desse problema na sociedade.